O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira - (Foto: Alan Santos/PR)

Depois de Ciro Nogueira, Bolsonaro é cobrado por mais cargos em ministérios

BRASÍLIA — A entrada do principal partido do Centrão no núcleo duro do governo dividiu a base de apoio do presidente Jair Bolsonaro. O prestígio conferido ao Progressistas, legenda do novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, provocou descontentamento nas fileiras do PTB e do Republicanos, além de críticas na caserna e na ala ideológica do governo. As trocas na equipe desengavetaram cobranças de mais cargos e aliados passaram a pregar, nos bastidores, uma “reforma de verdade”.

Agora, outro partido que pode ser remanejado para nova acomodação no Palácio do Planalto é o PL de Valdemar Costa Neto. Uma ala do Centrão quer que a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, seja deslocada para comandar o Ministério do Turismo no lugar de Gilson Machado, nome considerado da cota pessoal de Bolsonaro.

Os defensores da ideia disseram ao presidente que precisam de alguém com mais experiência do que Flávia para fazer dobradinha com Nogueira na articulação política com o Congresso. O PL gostaria de levar o Turismo, mas sem perder a Secretaria de Governo. Bolsonaro, porém, ainda não bateu o martelo sobre essa equação.

As mudanças pontuais têm provocado queixas de partidos da base aliada que se sentem preteridos. O Progressistas de Nogueira, por exemplo, comanda hoje a Casa Civil, tem a liderança do governo na Câmara com Ricardo Barros (PR), alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, e elegeu o deputado Arthur Lira (AL) para a presidência da Câmara com o apoio do Planalto.

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, não gostou da operação desencadeada para abrigar Nogueira na Casa Civil. Aliado de Bolsonaro, o ex-deputado insinuou que o presidente pode ser traído pelo novo ministro e disse que “não confiaria” em um político que apoiou o PT nas últimas eleições.

“Até o fim”

Nogueira já chegou a definir Bolsonaro como “fascista” e, em 2018, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava preso, disse que ficaria com ele “até o fim”. À época, o Progressistas tinha a então senadora Ana Amélia (RS) como vice de Geraldo Alckmin (PSDB), que disputava o Planalto.

Também senador, Nogueira apareceu na propaganda eleitoral exibindo a hashtag #SouLula. Quando o ex-presidente foi mantido na prisão, ele migrou para a campanha de Fernando Haddad, candidato do PT. Na liderança das pesquisas de intenção de voto, Lula é hoje o principal adversário de Bolsonaro.

“Eu não tiraria o general Ramos (da Casa Civil), disse Jefferson. “Tem o general de confiança. Vai botar um civil? E um civil que o tempo todo, nos últimos 20 anos, apoiou o PT lá no Piauí”, afirmou.

O ex-deputado comparou a escolha de Nogueira ao que viveu o então presidente Fernando Collor meses antes de renunciar para não sofrer impeachment, em 1992. Logo no início daquele ano, Collor – hoje senador pelo PROS – nomeou Jorge Bornhausen, do PFL, para a recém-criada Secretaria de Governo. Não adiantou.

A aliança com o Centrão também constrangeu militares que faziam campanha contra o bloco fisiológico, do “toma lá, dá cá”, associado a “ladrões” pelo general Augusto Heleno, hoje ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Heleno costuma dizer agora que o Centrão “não existe mais”, o que contraria declarações do próprio presidente.

Não foi à toa que Bolsonaro também lembrou, nos últimos dias, que integrou o antigo PP por 11 anos. “Eu sou Centrão”, disse o presidente, que tem convite para se filiar novamente ao partido de Nogueira e de Lira.

“O ambiente desconexo, desorientado e desunido da articulação política abriu suas portas às chantagens e aos interesses do até então execrado Centrão e fez com que o próprio presidente tornasse pública a sua simpatia pelo fisiologismo do grupo”, criticou o general reformado Paulo Chagas, em manifesto. Antes bolsonarista ferrenho, Chagas tem vocalizado o descontentamento na caserna. “Mais do que nunca, mudar é preciso”, insistiu ele.

Na outra ponta, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, um dos mais barulhentos representantes da militância ideológica, dirigiu duros ataques ao Centrão e provocou debates entre conservadores após Bolsonaro admitir que integrou o bloco quando era deputado.

Em discussões virtuais, Weintraub questionou se algum ministro, à exceção de Onyx, defende Bolsonaro mais do que ele e o irmão Arthur Weintraub, ex-assessor da Presidência. O ex-titular da Educação afirmou não se adaptar à “sacanagem” e disse que o presidente está “nas garras do Centrão”.

*Estadão Conteúdo

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