Presidente do PP, deputado estadual Evander Vendramini. (Foto: Correio do Estado)

Caciques veem fusão de partidos com desconfiança

Cogitada nos corredores do Congresso Nacional, a possível megafusão dos partidos de centro-direita PSL, DEM e PP não é vista com bons olhos por caciques de dois dos partidos envolvidos em Mato Grosso do Sul.  

Por aqui, o assunto de bastidores em Brasília (DF) tem sido negado pelos líderes do PSL e do DEM. O único que demonstra simpatia pela possível fusão é o presidente do PP, deputado estadual Evander Vendramini.

“Política é dinâmica, pode ser que tudo isso aconteça. Sempre estou em contato com a cúpula nacional, e essa era uma conversa que corria nos bastidores em Brasília. Sou a favor dessa negociação, pois é um megapartido e vai abraçar mais de um quinto do Congresso”, frisou o deputado.  

O parlamentar reiterou que o alinhamento feito com as siglas é do interesse exclusivo do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), que quer se filiar a um partido forte para concorrer às eleições de 2022.  

“Toda essa dança dos partidos e a reforma ministerial mostram que Bolsonaro tem interesse no Centrão e está analisando o cenário atual, buscando articular a fusão com presidentes do PSL, DEM e PP e fazer com que a criação do megapartido aconteça antes das eleições de 2022. Então ele se isenta de escolhas. Não precisa escolher entre um ou outro, se os três se juntarem”, completou o presidente regional do PP.  

Reação

No DEM, a reação em Mato Grosso do Sul foi diferente da executiva do PP. O presidente regional da legenda, Marco Aurélio Santullo, ressaltou não ter uma opinião formada sobre o assunto e vai cumprir todas as decisões vindas da liderança nacional.  

“O que a executiva nacional decidir, o DEM aqui no Estado vai cumprir. É um assunto que não compete aos filiados em MS: vai ser decidido entre eles, e nós acataremos. Acredito que sejam apenas especulações, pois é uma decisão um pouco prematura, ainda mais neste momento que vivemos, em que o presidente busca apoio do Centrão. Ele, como chefe de Estado, precisa de base de apoio”, disparou.

A líder do PSL em MS, Soraya Thronicke, não deu um parecer sobre a situação até o fechamento do texto. O Correio do Estado entrou em contato com a assessoria, que usou uma nota explicativa do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, para afirmar que as negociações entre os partidos não existem.  

O MEGAPARTIDO

As negociações entre as siglas veio à tona ontem em Brasília. Após publicação na imprensa, o presidente nacional do PSL correu para negá-la.  

A especulação para criação do megapartido começou após a indicação de Ciro Nogueira (PP-PI) para o cargo de ministro da Casa Civil.  

A aproximação do presidente Jair Bolsonaro com o Centrão mostra futuras articulações para as eleições de 2022 – até o momento, ele sondava um possível retorno ao PP.  

Se a fusão acontecer, a nova legenda seria a maior do Congresso, com 121 deputados e 15 senadores, todos do chamado Centrão.  

Luciano Bivar (PSL-RJ) negou as especulações. Ele afirmou que o partido vai apostar em candidaturas próprias e que já tem um pré-candidato à Presidência: o apresentador de televisão e jornalista José Luiz Datena.

“O PSL mantém excelente diálogo com a maioria dos partidos e já decidiu seu rumo para a eleição de 2022, com candidatura própria”, destacou Luciano Bivar.

Quando procurada pela equipe de reportagem, a senadora Soraya Thronicke, presidente regional do PSL em Mato Grosso do Sul, respondeu com a declaração de Luciano Bivar sobre o assunto, descartando a possibilidade.

O presidente nacional do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, também correu para negar a notícia, apesar das conversas nos corredores do Congresso. Ele afirmou que a possível fusão entre os partidos é falsa e também não passa de especulação.

Apesar dos atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e o PSL, o partido demonstrou ser uma base de apoio íntegra ao chefe do Executivo e ainda ansiava por um possível retorno. Após a filiação de Flávio Bolsonaro ao Patriotas, a relação estremeceu e o possível retorno foi de vez apaziguado.  

As negociações entre os partidos ainda estão em fase de conversação, mas, no atual cenário, Bolsonaro busca filiação em partidos que estão sendo sua base de apoio no Congresso, que são as siglas ligadas ao Centrão. 

*Correio do Estado

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