Tratamento ainda precisa ser aperfeiçoado antes de ser aplicado em humanos, mas já é uma esperança - Freepik

Cientistas abrem caminho para tratar depressão mais rápido

Família reunida, presentes, crianças correndo pela casa. Para quem sofre de depressão, todas essas coisas podem não ser suficientes para garantir o bem estar psíquico. Sempre existe aquela sensação de algo ainda não está bem. A boa notícia para quem sofre da doença é que cientistas deram mais um passo para desvendar as causas que pode levar a um caminho mais rápido de tratamento.

O grupo ligado à Universidade de São Paulo (USP) aponta que quase metade dos pacientes não respondem bem aos medicamentos disponíveis ou ao tempo que as opções disponíveis nas prateleiras das farmácias começam a fazer efeito (o que pode levar de três a cinco semanas). Além disso, há ainda condições adversas, como sonolência. 

A ideia da pesquisa foi usar substâncias que controlam a ativação e o desligamento dos genes para tentar “apagar” da memória corporal as consequências do estresse e as marcas induzidas por ele no organismo.

Situações estressantes são consideradas um fator-chave no desencadeamento de processos depressivos, já que eles provocam alterações genéticas que afetam a capacidade do cérebro de se modificar em relação às adversidades, conforme diz o estudo. 

Em resumo: a depressão é uma doença desencadeada por um processo químico no corpo humano. Há tempos não restam dúvidas de que não se trata de um problema de ordem espiritual. Esses pacientes têm um aumento da adição de radicais de uma substância chamada metila que condensa a cromatina. A maioria dos remédios usados age nesse processo. 

O estudo em questão foi coordenado pela professora Sâmia Regiane Lourenço Joca, ligada ao Departamento de Ciências Biomoleculares da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), e à Universidade de Aarhus, na Dinamarca. 

Ela, junto com uma equipe, investigou a ação de uma proteína do sistema nervoso chamada BNDF, cujas quantidades são reduzidas também como efeito do estresse no organismo. 

As drogas convencionais demoram para funcionar porque leva tempo para eliminar as alterações provocadas pelo estresse. Os cientistas acreditavam que ao fazer uma modulação direta desses mecanismos, o efeito apareceria rapidamente. E foi exatamente isso o que observaram.

Foram utilizadas duas drogas na pesquisa. Uma delas é usada para tratamento de câncer e outra que ainda é operada em caráter experimental. Os efeitos na depressão foram positivos, mas o grupo ressalta que ambas as substâncias ainda têm efeitos adversos intensos. O que o estudo trouxe foi um caminho interessante para que futuros estudos possam analisar e controlar essas reações, dando origem a medicamentos ainda mais eficazes e rápidos. 

Por essas razões, o estudo foi realizado em ratos expostos a situações estressantes inescapáveis. Depois, eles foram colocados diante da possibilidade de passar novamente por essa experiência ou tentar uma alternativa que a evitasse.

Algo parecido acontece nas pessoas depressivas. É aquela sensação de impotência, que nada se pode fazer para melhorar a situação. Os animais tratados com antidepressivos voltaram ao normal, mas somente após certo tempo. 

O estudo tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). O artigo foi publicado na revista Molecular Neurobiology.

*Correio do Estado

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