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Atriz americana Doris Day por volta de 1963 (Silver Screen Collection/Getty Images)

Morre a atriz e cantora Doris Day, aos 97 anos

A cantora e atriz americana Doris Day, estrela de várias comédias românticas nos anos 1950 e 1960, morreu nesta segunda-feira, 13, aos 97 anos. Segundo a fundação de defesa de direitos dos animais que levava seu nome, a atriz morreu em casa, cercada de amigos próximos. “Day estava em excelentes condições de saúde para uma pessoa de sua idade, até pegar recentemente uma forte pneumonia, o que resultou na sua morte”, disse o comunicado da Doris Day Animal Foundation.

De acordo com a organização, Day não queria que fosse organizado um velório em sua homenagem e também preferiu que fosse enterrada sem a instalação de uma lápide com informações sobre ela.

Inicialmente uma cantora de pop e jazz, Day foi descoberta pelos estúdios Warner Bros., estrelando seu primeiro filme, Romance em Alto-Mar, em 1948. Tornou-se uma das mais queridas atrizes de sua geração, sendo chamada por fãs e imprensa americana de “queridinha da América”. Protagonizou quase quarenta filmes, como Confidências à Meia-Noite (1959), pelo qual recebeu a única indicação ao Oscar de sua carreira, A Espiã de Calcinhas de Renda (1966) e Ama-me ou Esquece-me (1955).

Doris Day debaixo de uma mesa tentando escapar de um pretendente persistente em uma cena do filme ‘A Espiã de Calcinhas de Renda’, 1966 (Metro-Goldwyn-Mayer/Getty Images)

Uma música interpretada por ela em O Homem que Sabia Demais (1956), de Alfred Hitchcock, Whatever Will Be, Will Be (Que Sera, Sera), porém, ganhou o Oscar de melhor canção original em 1957.

Ao lado de atores como Rock Hudson, Cary Grant e James Garner, os atores mais populares do final dos anos 1950 e começo dos 1960, Day estrelou comédias românticas e musicais líderes de bilheteria nos Estados Unidos. Por causa dos papéis que interpretava, o de mocinhas engraçadas e alegres, mas que evitavam as investidas dos homens e o sexo antes do casamento, acabou sendo pintada como recatada, uma imagem que a “confundia”, como veio a revelar anos depois.

Doris Day como Laurie Tuttle e Frank Sinatra como Barney Sloan no romance musical ‘Corações Enamorados’, 1954 (Silver Screen Collection/Getty Images)

Day teve uma chance, no entanto, de tentar mudar a maneira como as pessoas a enxergavam: foi convidada pelo diretor Mike Nicholls a estrelar a senhora Robinson em A Primeira Noite de um Homem (1967), que conta a história de um jovem e de uma mulher, bem mais velha do que ele, que se envolvem romanticamente. A atriz, porém, não se interessou e o papel ficou com Anne Bancroft. “Não conseguia me ver rolando nos lençóis com um jovem com metade da minha idade que eu tinha seduzido”, disse em entrevista. “Percebi que era um papel eficiente… mas ele ofendia meus valores.”

Seu último filme foi Tem um Homem na Cama da Mamãe (1968), mesmo ano em que ela ganhou sua própria sitcom, The Doris Day Show (1968-1973). Pouco depois, aposentou-se, tanto da carreira nas telas quanto na música. No total, lançou 29 discos – o último, My Heart, chegou às lojas em 2011, com canções que ela já havia gravado, mas que ainda não tinham sido compiladas em álbuns anteriores.

Atriz americana Doris Day por volta de 1962 (Arquivo/Getty Images)

Aposentada, passou a se dedicar aos direitos dos animais, criando organizações como a Doris Day Animal Foundation. Por cerca de um ano, voltou a ficar sob os holofotes ao apresentar o talk-show Doris Day’s Best Friends, mas resistiu a retomar a carreira em Hollywood, apesar de ter sido convidada diversas vezes.

Ao lançar sua autobiografia, Doris Day: Her Own Story, em 1975, ela causou controvérsia entre os fãs por rejeitar apelidos e estereótipos que haviam sido associados a ela, como o de “virgem profissional” ou de “garota da casa ao lado”. No livro, ela dizia: “A sucessão de musicais alegres e de época que eu fiz, mais o comentário amplamente divulgado do (músico e ator) Oscar Levant sobre minha virgindade (‘Eu conheci Doris Day antes de ela se tornar virgem’), contribuiu para o que se tornou a minha ‘imagem’, que é uma palavra que me confunde. Nunca tive intenção de minha parte, seja na carreira de atriz ou na minha vida pessoal, de criar qualquer coisa que pudesse ser chamada de imagem”.

 Doris Day em retrato para a Warner Bros Studios, em 1951 (John Kobal Foundation/Getty Images)

Sua vida pessoal, aliás, era atribulada. Day se casou quatro vezes – e teve problemas com quase todos os maridos. Segundo ela contava, o primeiro deles era um “sádico” que a agredia. O segundo avisou, por carta, que estava se separando dela após apenas oito meses. O terceiro era o empresário Martin Melcher, que não administrou corretamente a fortuna da atriz e a deixou em dívida quando ele morreu. O quarto foi o empresário e restaurateur Barry Comden, de quem ela se separou em 1982.

A atriz norte-americana Doris Day, ficou conhecida por seus papéis românticos e cômicos em filmes de Hollywood dos anos 1950 e início dos anos 1960 (//AFP)

A atriz e ativista dos direitos dos animais Doris Day posa para fotos depois de receber o Prêmio Cecil B. DeMille, que foi apresentado na cerimônia anual do Globo de Ouro em 1989 (Arquivo/AP)

*Veja

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