Carlos Marun durante cerimônia de transmissão de cargo de ministros no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira - Foto: Agência Brasil

Mesmo com protestos, Marun confirma cargo em Itaipu

Minutos após o vice-presidente Hamilton Mourão afirmar em Brasília (DF) que a nova gestão de Jair Bolsonaro (PSL) reveria a decisão do antecessor, Michel Temer (MDB), de nomear o ex-secretário de Governo Carlos Marun, de Mato Grosso do Sul, como conselheiro da multinacional Itaipu Nacional, o próprio ex-deputado federal por Mato Grosso do Sul tratou de disparar mensagem por celular garantindo que fora confirmado na nova função pelo presidente.

“Acabo de receber uma ligação do ministro Ônix (Lorenzoni, da Casa Civil) me informando que despachou com o presidente Bolsonaro e que ele decidiu não rever o ato do presidente Temer”, resumiu Marun. “Estarei portanto exercendo esta função com o mesmo empenho que dediquei a todas as funções que exerci”, completou.

No último dia de mandato, Temer exonerou Carlos Marun do cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo e o nomeou para exercer a função de conselheiro da Itaipu Binacional, com mandato até 16 de maio de 2020. O salário está entre R$ 20 mil e R$ 25 mil e o colegiado se reúne a cada dois meses.

A nomeação do ex-ministro está publicada no Diário Oficial da União e a mesma publicação trazia ainda a exoneração de Frederico Matos de Oliveira da função de conselheiro da Itaipu, “em virtude de renúncia”, e do diplomata Marcos Bezerra Abbott Galvão da função de representante do Ministério das Relações Exteriores.

Marun justificou sua nomeação devido a sua extensa experiência com os Poderes. “Aceitei porque penso que é muito importante para o MS, em segundo lugar, tenho condições de exercer essa função, sou engenheiro, advogado, tenho relações do Brasil com o Paraguai. Conheço Itaipu desde quando eu era estagiário, andando e visitando a obra. Já servi tanto o Executivo quanto o Legislativo nas três esferas. Fui vereador, deputado estadual e federal, fui secretário municipal e estadual, estou capacitado para o desenvolvimento da função”, justificou.

REVISÃO

A polêmica sobre a nomeação de Marun veio logo após a posse de Bolsonaro. Logo após a transição de seu cargo para o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que lhe substituirá, vieram os primeiros sinais de insatisfação pela atitude de Temer.

O estopim veio no início desta tarde. À ‘TV Globo’, o vice Mourão classificou como “prêmio” a nomeação de Marun. “Não é ilegal, mas não foi ética”, disse.

Mourão disse que, na reunião ministerial desta quinta-feira (3), o assunto pode ser discutido. Ele defende que o ato seja revisto. O presidente Jair Bolsonaro já disse que vai passar um pente-fino nas decisões do antecessor.

“Todo mundo sabe que o ex-presidente fez isso como prêmio. Depende (a anulação do ato ou não) do presidente, amanhã na reunião ministerial pode ser um tema, Onyx ficou de levar o que precisa ser feito”, disse Mourão, reiterando que vai argumentar pela anulação do ato.

*Correio do Estado

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