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Cordão Valu desfila pelo local há mais de 10 anos - Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

MPE pede fim de Carnaval na Esplanada e revolta organizadores

Foliões e organizadores ficaram revoltados com a recomendação do Ministério Público Estadual (MPE) para proibir a realização de eventos culturais na Esplanada Ferroviária, localizada na região central de Campo Grande. Há mais de dez anos, o local, tombado como patrimônio histórico, é palco dos principais blocos de Carnaval da Capital. Neste ano, o desfile do Cordão Valu, o mais popular da cidade, reuniu cerca de 30 mil pessoas.

Na última sexta-feira, a promotora Luz Marina Borges Maciel Pinheiro, da 26° Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, a partir de elementos colhidos durante inquérito civil, conclui que a realização de grandes eventos (carnaval, enterro dos ossos e afins) na região da Esplanada Ferroviária não é mais viável.

Conforme ata, além de representantes do MPE, participaram da reunião representantes da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur), da Fundação de Cultura do Estado, e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A promotora afirma que a decisão foi unânime.

Idealizadora do Cordão Valu, um dos blocos mais tradicionais da Capital, a professora de história Silvana Valu, 46 anos, sabia que ação corria no MPE, mas esperava a realização de audiência antes de qualquer recomendação. “Ficamos indignados. Ela tomou uma decisão sem nos oubir. Sem ouvir o que a gente tinha a dizer. Se tirar o Carnaval de lá, ela está mexendo com toda história do carnaval de Campo Grande”.

Diante da possibilidade, os cordões e blocos independentes lançaram nota repudiando sugestão do MPE. Eles classificaram a decisão como “descabida” e alegam que nenhum grupo carnavalesco independente foi convidado a participar da reunião.

No texto, os organizadores alegaram que em outras regiões do país, como Salvador (BA), e também aqui no Estado, em Corumbá, o carnaval de rua é realizado em áreas tombadas pelo patrimônio histórico. Além disso, a realização do evento na Capital contou com autorização do Iphan e está em acordo com outras normas vigentes no município.

“No sentido de sempre realizar um carnaval de rua de qualidade e seguro para os foliões, é que todos os blocos e cordões independentes cumprem rigorosamente o decreto pelo município, que estabelece as regras e normas para as apresentações, conseguindo as autorizações”.

Os foliões também resolveram dar apoio para permanência do evento na Esplanada. Muitos lançaram vídeos nas redes sociais com a #carnavalnaesplanadasim; “O Carnaval é cultura e tem que continuar na Esplanada”, afirmou a psicóloga Marjorie Saldanha.

*Correio do Estado

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