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Governador Reinaldo Azambuja (PSDB) - Foto: Gerson Oliveira/Arquivo/ Correio do Estado

Azambuja nega ter recebido propina e alega inocência de outros envolvidos

Em entrevista à TV Morena na manhã desta quinta-feira (13), o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) negou que tivesse recebido propina no esquema desarticulado pela Polícia Federal ontem, durante a Operação Vostok, e comentou que as ações dos federais não comprometem a campanha eleitoral.

“Acredito que não compromete. É preciso esclarecer que esse grupo [JBS] roubou Brasil e fizeram delação homologada pelo Ministério Público Federal e questionada pelo próprio MPF”, respondeu. Azambuja comentou ainda que os empresários estavam “mal acostumados com os benefícios fiscais” que recebiam, o que, segundo ele, pode ter motivado a delação. O governador respondeu que, até 2014, o grupo JBS pagava R$ 40 milhões em impostos e, em 2017, passaram a pagar R$ 199 milhões.

Ele negou que o corte dos benefícios tivesse ocorrido após as delações e fez críticas à operação e disse ainda que, vai representar contra as ações junto ao Conselho Nacional do Ministério Público. O chefe do Executivo Estadual disse ter respondido 34 perguntas na sede da Polícia Federal. Dentre elas se havia ou não recebido propina e sobre doações oficiais ao partido do qual faz parte. “Agora inverteu os fatos. Primeiro prende, depois investiga”, reclamou. Azambuja disse ainda não ter restado nenhuma dúvida sobre o caso.

Em junho do ano passado, os advogados de Azambuja entraram com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ministro Luiz Edson Fachin deixasse a relatoria da delação da JBS. Questionado sobre o pedido, ele disse ter sido feito sob a desconfiança do teor da delação dos irmãos Wesley e Joesley Batista. “A gente sabia da mentira. Sabíamos que estavam mentindo desde o início da delação”, respondeu ele, reforçando que, a delação não foi apenas contra ele, mas, citou outros políticos.

Questionado sobre o relatório da PF que apontou o filho dele, Rodrigo de Souza e Silva, como um dos líderes do esquema criminoso, Azambuja comentou que “qualquer pai defende o filho. Vou defender ainda mais porque é uma pessoa correta”, disse. Em relação à prisão do deputado estadual Zé Teixeira (DEM), e do conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, ex-deputado federal e ex-secretário de fazenda, Márcio Monteiro, Azambuja comentou que eles não foram presos por ações nesta gestão e disse ainda ter “certeza da inocência” deles.

O governador questionou ainda a operação ter sido deflagrada há poucos dias antes das eleições.

ENTENDA A OPERAÇÃO

As investigações tiveram início neste ano, e tiveram como ponto de partida delação de empresários do grupo JBS. A ação envolve 220 policiais federais que cumprem 220 mandados de busca e apreensão, 14 de mandados de prisão temporária em Campo Grande, Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes da Laguna e na cidade de Trairão (PA). Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O inquérito da PF apontou que até 30% dos créditos tributários (incentivos fiscais ao grupo JBS) eram revertidos em proveito do grupo, que os policiais federais chamam de “organização criminosa”.

O prejuízo com a isenção de impostos chega a R$ 200 milhões, aponta a Polícia Federal. A Operação da Polícia Federal foi denominada “Vostok”, o mesmo de uma estação de pesquisa da Rússia na Antártida e, segundo a PF, tão fria quanto as notas utilizadas para lavar a propina da JBS. Dinheiro em espécie e doação eleitoral As propinas foram pagas por meio de doação eleitoral para a campanha de 2015, e também em espécie, nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), em 2015.

Elvio Rodrigues, um dos presos na operação, conforme apuração, emitia “notas frias” para “esquentar” a propina repassada pela JBS ao grupo. Élvio é o mesmo produtor rural que, neste ano, teve autorizada pela Justiça a devastação de mais de 20 mil hectares de mata nativa do Pantanal, na Fazenda Santa Mônica. Na ocasião, o governo valeu-se da Procuradoria Geral do Estado para atuar em processo raro, em favor de Rodrigues.

Deputado e conselheiro Márcio Monteiro, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, ex-deputado federal pelo PSDB, e secretário de Fazenda durante quase toda gestão Azambuja, é um dos alvos de mandado de prisão, por envolvimento no esquema de propina.

O deputado estadual Zé Teixeira, é outro alvo. Ambos já estão presos. Operação paralela No bojo da ação de hoje, foram cumpridos, ainda, três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Estadual do Mato Grosso do Sul, no interesse da Promotoria do Patrimônio, cujo objeto vincula-se aos fatos investigados pela Polícia Federal.

*Correio do Estado

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