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França na final: a terceira geração rumo ao bi

O rótulo de “ótima geração” é justo para a Bélgica, pelo planejamento de mais de uma década que a trouxe à semifinal da Copa do Mundo da Rússia, contra a França. Mas pesou a camisa que já tem um título mundial (em 1998) e que pode considerar que está em sua terceira versão de grandes jogadores. Os franceses superaram os belgas por 1 a 0 e estarão na grande final no domingo, 15 de julho, no estádio Lujniki, em Moscou, ao meio-dia.

A primeira boa geração francesa, que de fato sonhou com um título mundial, foi a de Michel Platini, nos anos 1980 — houve o time de Just Fontaine, com seus treze gols em 1958, mas não foi páreo para Pelé e Garrincha na mesma fase. Quarto lugar no Mundial de 1982 e campeã da Eurocopa de 1984, a França eliminou o Brasil nas quartas da Copa de 1986 e chegou à semifinal, quando foi derrotada pela Alemanha. O goleiro Bats (algoz de Zico) era o Lloris da época — e como o atual camisa 1 foi eficiente contra os belgas, quando necessário. Havia um jovem lateral-direito, Amoros, eficiente tal qual Pavard tem sido em gramados russos.

A segunda geração, até que se prove o contrário, foi a melhor. Campeã do mundo em 1998, fazendo valer o fator anfitriã, e vencedora da Eurocopa de 2000 — a Copa das Confederações de 2001 foi o último brinde. Zidane era o Platini da vez. Thierry Henry, o veloz atacante como hoje é o menino Mbappé — e nessas deliciosas ironias do futebol, Henry estava no lado belga, como assistente técnico de Roberto Martinez, que perdeu o duelo com o colega Didier Deschamps. O comandante francês, aliás, era o volante e capitão no título de duas décadas atrás e poderá se tornar o terceiro da história a ser campeão como jogador e treinador, ao lado do brasileiro Zagallo e do alemão Beckenbauer.

Chegamos a 2018 e a França colhe belos frutos nessa terceira safra de talentos. Jovens como a dupla de zaga Varane (que inaugurou a vitória sobre o Uruguai, nas quartas) e Umtiti (herói desta semifinal, também marcando de cabeça), herdeiros do talento de Blanc, o “xerife” de 1998 e igualmente autor de gol decisivo, nas oitavas contra o Paraguai. O novo Tigana é Pogba e Griezmann, humildemente, assume o bastão de jogador criativo, na sequência de Platini e Zidane.

Vencedora da “final antecipada”, a França segue para a decisão como favorita, independentemente do adversário, Croácia ou Inglaterra. Bateu uma valorosa Bélgica, que mais uma vez se reinventou taticamente, de acordo com o adversário, fez um primeiro tempo melhor, mas sucumbiu a equivalente talento. Além da habilidade, os franceses têm vigor físico e velocidade. Uma juventude atrevida que pede passagem. Depois do vice-campeonato europeu em 2016, pode escrever um segundo capítulo precocemente apoteótico. Imagine o epílogo.

Ponto alto
O duelo de goleiros foi interessantíssimo. Dois protagonistas da liga inglesa: Lloris, do Tottenham, e Courtois, do Chelsea. Por causa deles o placar se conteve na vitória mínima da França.

Ponto baixo
O centroavante francês Giroud vive uma “síndrome de Gabriel Jesus”: apesar da bem executada função tática, segue sem anotar um gol no Mundial. Irá desencantar na decisão?

Ficha do jogo

França 1 x 0 Bélgica
Local: estádio de São Petersburgo. Árbitro: Andrés Cunha (URU). Público: 64.286. Gol: Umtiti, aos 6 do segundo tempo.
França: Lloris; Pavard, Varane, Umtiti e Hernández; Kanté, Pogba e Matuidi (Tolisso); Mbappé, Griezmann e Giroud (N’Zonzi). Técnico: Didier Deschamps.
Bélgica: Courtois; Chadli (Batshuayi), Alderweireld, Kompany e Vertonghen; Witsel e Dembélé (Mertens); Hazard, Fellaini (Carrasco) e De Bruyne; Lukaku. Técnico: Roberto Martínez.

*Placar

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