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"Esperamos que a decisão final que será adotada pelo presidente dos Estados Unidos parta da realidade", pondera o Relações Exteriores russo Sergey Lavrov

Rússia espera que Trump mantenha acordo nuclear com o Irã

Russia espera que Donald Trump repense sua posição sobre o futuro do acordo nuclear com o Irã, afirmou nesta sexta-feira o ministro de Relações Exteriores russo Sergey Lavrov. O chefe da diplomacia em Moscou reagiu às declarações desta quinta do presidente americano na Casa Branca, que acusou Teerã  de não cumprir “o espírito do acordo”.

“Esperamos que a decisão final que será adotada pelo presidente dos Estados Unidos parta da realidade, porque trata-se de um programa extremamente necessário”, disse Lavrov em coletiva de imprensa em Astana, capital do Cazaquistão, onde está em viagem diplomática. Para Moscou, o Plano de Ação Integral Conjunto, nome formal do pacto entre o Irã, Estados Unidos, Russia e outras quatro potências globais, constitui “uma das conquistas mais importantes da comunidade internacional” e “contribui para reforçar o regime da não-proliferação de armas nucleares”.

Na quarta-feira, Trump atacou Teerã e disse que “o regime iraniano apoia o terrorismo e exporta violência e caos a todo o Oriente Médio“. “Por isso, é necessário por fim às ambições nucleares e às agressões do Irã. Todos vocês escutarão sobre o Irã em breve”. No mesmo dia, ao posar para fotos com lideranças militares na Casa Branca, o presidente americano disse a repórteres que o momento representava “a calmaria antes da tempestade”.  Perguntado a que “tempestade” se referia, Trump não entrou em detalhes. “Vocês irão descobrir”, respondeu.

O chefe da Casa Branca tem até o dia 15 de outubro para comunicar formalmente ao Congresso se suspende ou não o acordo nuclear com o Irã – o anúncio de Trump deve ser feito a cada 90 dias, e, por duas vezes, o presidente manteve o acordo. Caso o pacto não seja mantido, o Congresso tem até 60 dias para decidir se volta a impor sanções ao regime de Teerã.

“Armas ilegais”

O debate sobre o acordo nuclear volta à tona no momento em que o comitê do Nobel da Paz concede o prêmio deste ano à Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican), coalizão de grupos não governamentais presente em mais de 100 países, “por seu trabalho em voltar as atenções para as consequências humanitárias catastróficas de qualquer uso de armas nucleares e por seus esforços pioneiros para alcançar um pacto com base na proibição de tais armamentos”.

À agência de notícias Reuters, a diretora-executiva da organização, Beatrice Fihn, criticou a postura das potências nucleares sobre a posse e a ameaça do uso das armas. “Armas nucleares são ilegais”, disse em recado a Trump e ao líder norte-coreano Kim Jong-un, cujo regime busca a expansão de seu programa nuclear. “Ameaçar usar armas nucleares é ilegal. Ter armas nucleares, possuir armas nucleares, desenvolver armas nucleares é ilegal, e eles precisam parar”, acrescentou.

*Com agências internacionais)

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