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Quatro elementos do country feminista de Lady Gaga

Por baixo das muitas camadas dos figurinos esdrúxulos, maquiagens de Halloween e até um vestido de carne desfilados por Lady Gaga, existe uma pessoa. Ou melhor, lá no fundo está Stefani Joanne Angelina Germanotta, verdadeira alcunha da cantora pop, que acaba de lançar seu quinto disco de estúdio, Joanne.

A personagem extravagante que ajudou a atrair a luz do holofote na direção de Gaga, também ofuscou, e muito, sua música. Agora, ela se despe das fantasias, veste um short jeans, e fala sobre suas aflições, paixões, família e até política. Para embalar as letras, a cantora, que transitou entre o pop eletrônico e o jazz, mira o country. Como disse Johnny Cash, poucos ritmos servem tão bem para falar sobre sentimentos básicos, de um coração partido, medicado a base de álcool, até a morte.

Sob a supervisão do calejado Mark Ronson, Gaga assina todas as treze faixas, com produção de outros nomes interessantes, responsáveis pela pitada de rock do disco, como Josh Homme, do Queens of the Stone Age; Kevin Parker, do Tame Impala; e Florence Welch, da Florence and the Machine.

Confira abaixo quatro elementos que se destacam no novo trabalho da nova Lady Gaga:

Estupro e feminismo

Logo na primeira música, Diamond Heart, Gaga faz uma alusão ao estupro sofrido quando ela tinha 19 anos. Some asshole broke me in/ Wrecked all my innocence/ I’ll just keep go-go’n/ And this dance is on you (Um idiota me machucou/ Acabou com minha inocência/ Eu simplesmente continuo/ Esta dança é sobre você, em tradução livre).

A superação só é sentida quase no fim do disco, quando letras feministas e de apoio entre mulheres embalam Come to Mama e Hey Girl, com Florence. As canções celebram a amizade, o futuro, a paz, entre outras bandeiras louváveis, em um clima Hall & Oates. Pena que as duas faixas destoam das demais e passam batidas no disco. O feminismo, do tipo sou dona do meu nariz, do meu corpo e do meu destino, é percebido em outras músicas, como Dancin’ in Circles, em que ela canta sobre solteirice e masturbação.

Amores complicados

Uma das músicas mais interessantes do álbum é a animada A-YO, em que Gaga cai na noite country, com direito a cigarros, bebidas, paixões fugazes e passeios em caminhões. Mesmo clima será sentido em Perfect Illusion , Dancin’ In Circles,Sinner’s Prayer e John Wayne. Deste quarteto, apenas a última merece destaque. A mais próxima do flerte com o rock, John Wayne fala sobre um romance conturbado, com um cara que é “tão problemático quanto uma foto de registro policial”, ou, mais poético, no inglês: “trouble like a mug shot”.

Coração partido

O drama de um amor mal resolvido é tema da balada à la Adele Million Reasons. A faixa já é uma das favoritas dos fãs (foi reproduzida 12 milhões de vezes no YouTube, e 8 milhões no Spotify). Ao violão, Gaga tem a chance de mostrar seu alcance vocal de forma limpa em uma letra agradável. Difícil dar errado.

O lado kitsch volta a ser sentido com a faixa que dá título ao disco, Joanne, uma homenagem à tia de mesmo nome, portadora de lúpus, que morreu aos 19 anos, uma década antes do nascimento de Gaga. O desencontro temporal não impediu que a artista criasse uma conexão com a parente. A letra pede para que Joanne não se vá, pois o paraíso ainda não está pronto para ela. “Eu preciso mais de você do que os anjos”, diz um trecho.

Protesto

Com um toque gospel, Angel Down, gravada em duas versões, serve como protesto de Gaga no caso do assassinato de Trayvon Martin, o adolescente negro, morto em 2013, que motivou a criação do movimento #BlackLivesMatter nas redes sociais – e pelas ruas dos Estados Unidos. “Tiros foram disparados na rua/ Perto da igreja que costumávamos nos encontrar/ Anjo no chão, anjo no chão/ Mas as pessoas só observam”, diz o refrão. O título, talvez o mais destoante da carreira da cantora, é interessante e emotivo. Uma prova de que, quando ela quer, Gaga sabe fazer uma boa canção.

*Veja

 

 

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