Fazendeiros foram presos sem provas

O Sindicato Rural de Dourados divugou nota nesta terça-feira, 23 de agosto, na qual critica a  prisão de cinco fazendeiros suspeitos pelo ataque que deixou seis índios feridos e um morto em junho deste ano, no município de Caarapó. Para a entidade, não há provas contra os ruralistas. “A justiça mandou prender pessoas sem provas de autoria, afrontando o princípio constitucional da presunção de inocência, já que até o momento esses produtores figuram apenas como suspeitos”, diz um trecho do documento que foi lido hoje pela deputada estadual Mara Caseiro (PSDB) na Assembleia Legislativa.

A prisão de Dionei Guedin, Jesus Camacho, Virgílio Mettifogo, Eduardo Yoshio Tomonaga, o “Japonês”, e Nelson Buainain Filho, dono da fazenda Yvu, onde ocorreu o conflito, foi decretada no dia 5 de julho pelo juiz da 2ª Vara Federal em Dourados, Leandro André Tamura, a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Todos estão detidos na penitenciária estadual de Dourados.

Mara Caseiro também defende e tese de que as prisões foram efetuadas sem prova, o que fere a Constituição Brasileira. Ainda segundo a nota divulgada pelo sindicato, os índios acusados de crimes durante as invasões seguem impunes. “A sensação é que a lei existe apenas para um lado da moeda, enquanto o outro lado pode praticar todo tipo de arbitrariedade e crime sem responder por isso na forma da lei”, diz outro trecho. Ontem, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou nota na qual revela que a Polícia Federal apreendeu 11 armas, 310 cartuchos e dois carregadores de pistola com os cinco fazendeiros.

De acordo com os autos de apreensão, foram encontrados dois revólveres e um rifle calibres 38, uma pistola .380 e sete espingardas calibres 16, 22, 28, 32, 36 e 38. Dos 310 cartuchos recolhidos, a maioria são de calibre 22 (91 unidades), 380 (67) e 38 (54).  Foram apreendidos carregadores sem a respectiva arma e que armamentos registrados em nome dos fazendeiros presos não foram localizados.

Para o Ministério Público, o resultado da busca e apreensão reforça as investigações. “A perícia realizada no local do ataque à comunidade encontrou projéteis deflagrados em calibres similares às munições apreendidas”, disse o MPF.  As investigações sobre os ataques aos índios continuam.

 

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