Depois da onda fast-food, moda agora é comida fitness

A “onda” da alimentação saudável chegou a Campo Grande e parece estar “arrastando” até os consumidores que antes eram habituados a comer fast food. Pesquisa da agência americana Euromonitor aponta que o Brasil é o 5º maior mercado de alimentação do gênero, com volume de vendas de US$ 27,5 bilhões em 2015 no ano passado.Os dados mostram ainda crescimento no país de 98% do mercado de alimentação ligado à saúde e bem-estar, entre os anos de 2009 e 2014. A Capital, claro, está seguindo a tendência.

Laís Lunardon é nutricionista e trabalha na Alimentar Saudável e Dietas, empresa que fornece kits de refeições completas, do café da manhã até a ceia. Ela acredita que a internet tenha impulsionado essa busca dos consumidores por alimentos mais saudáveis, especialmente depois do surgimento de várias blogueiras fitness, mas prefere não falar em tendência por acreditar em mudança permanente no comportamento dos consumidores.

“Hoje vejo mais como um mercado consolidado que veio para ficar”, diz. “A busca ainda é, em grande parte, estética, mas as pessoas que optam por caminhos realmente saudáveis passam a mudar esse foco e a buscar qualidade de vida”, diz.

A também nutricionista, Isabela Longobardi, da Nutri Funcional, empresa de gastronomia e saudável e dietas individualizadas, observa que até as grandes redes especializadas em fast food incluíram opções mais saudáveis nos cardápios, seguindo essa mudança. “ As pessoas estão cada vez mais preocupadas com essa questão, e percebo que a cada nova geração o interesse se torna maior”.

Dentre as desculpas mais frequentes entre aqueles que evitam alimentos mais benéficos à saúde estão o preço e falta de tempo para o preparo. Mas Isabela alerta que “frutas, hortaliças, carnes magras, raízes, castanhas, que sempre estiveram acessíveis e realmente são os mais saudáveis, não são mais caros que a maioria das refeições fast food”.

Isabela opina ainda ser injusto fazer comparações de preço de alimentos saudáveis com o junk food (“comida lixo” ou “porcaria”) porque o segundo trata de produtos vendidos como alimentos, mas sem valor nutricional algum, em que os principais ingredientes são: açúcares, conservantes e corantes.

“Adicione o valor gasto na farmácia ou no médico para recuperar a saúde perdida com o consumo desses alimentos, ou mesmo no desenvolvimento físico e intelectual de uma criança que cresceu comendo todo o tipo de ingredientes sem valor nutricional, e aí sim, faça a comparação de qual é mais caro ou mais barato.

Guloseimas Diferenciadas 

Nesse cenário em que o saudável ganha cada vez mais espaço, surgem inúmeras alternativas até para as “gordices”. No cardápio do restaurante Brutos fitness food, por exemplo, tem de coxinha à brigadeiro, mas sempre com ingredientes diferenciados.

Empresário Vinícius Santa Bárbara explica que esta sempre foi e continua sendo uma preocupação porque, segundo ele, “muitas das comidas fitness perdem no quesito sabor”.

Observando o público que frequenta aquele espaço, ele descreve que a maior parte é composta por pessoas que querem emagrecer ou ganhar massa muscular, mas tem crescido o número de clientes que não praticam nenhuma atividade física nem são adeptos de algum esporte.

“Temos muitos hipertensos em nosso rol de clientes e pessoas que buscam por saúde, principalmente na hora do almoço, o pessoal que não tem tempo de ir pra casa encontra aqui uma solução”, declara.

Ele conclui que a busca por alimentos ligados ao bem estar não é exclusividade da Capital, mas “isso é realidade mundial”.

A mesma observação é feita por Thatiana Lobo Ramos, proprietária da Sabor Fit Gourmet — empresa especializada em doces e bolos funcionais — que, além de atender muitos consumidores interessados em potencializarem os resultados da academia, percebe aumento de clientes com restrição alimentar, como diabéticos.

Ela acredita que “o mercado de alimentação saudável está crescendo porque as pessoas estão mudando o pensamento”. Em outras palavras, ela explica que para apreciar esse tipo de comida a pessoa precisa ter um pensamento fit. “Por mais gostoso que seja, não vou poder comparar com uma gordice”, diz.

Mas, segundo Thatiana, para os que já estão acostumados as “gordices” não fazem falta. “Antes a comida saudável funcional tinha fama de ser ruim a gente está tentando desmistificar isso”.

Pâmella Slongo Rezek, de 27 anos, é adepta da alimentação saudável há quatro anos. Desde que começou o processo de reeducação alimentar, ela percebe o crescimento do número de estabelecimentos do tipo.

“Claro que eu como uma porcaria ou outra. Algumas vezes como uma pizza, tomo uma cerveja, mas são coisas esporádicas, não é uma rotina. Minha rotina é bem restrita. Sou acompanhada por nutricionista e malho”, pontua.

Ela opina que há um pouco de modismo nesse mercado, mas não critica. “É uma moda boa”, brinca. “Hoje tem muita opção. Só não faz dieta quem não quer. De caro para caro, está tudo caro. As pessoas falam: ‘ser fit é ser rico’. Não necessariamente porque você come muito menos. Qualquer esquina que você vai hoje em dia tem coisa natural. Você vai adaptando as coisas”, orienta.

O estudante Anderson Bondiman, de 22 anos, também mudou os hábitos alimentares há três anos, deixando açúcar, gordura, refrigerantes e bebidas alcoólicas de lado. “No começo sentia falta disso, mas quando coloco na balança a satisfação temporária ou a vida melhor passa. Não é dieta, é estilo de vida e me sinto melhor assim. Tudo é questão de hábito”, finaliza.

*Correio do Estado

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