Creches suspendem atendimento em Campo Grande

Salas vazias, móveis empilhados, corredores e parquinho desertos denunciam a gravidade da situação pela qual passa o Educandário Espírita Blaise Pascal, localizado no Jardim das Hortências, em Campo Grande. O estabelecimento que atende cerca de 150 crianças de famílias carentes suspendeu as atividades alegando falta de dinheiro devido ao atraso no repasse de verbas do Fundo de manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de  valorização dos profissionais de educação (Fundeb).

A entidade não é a única em dificuldade. O Centro de Educação Integrada João Paulo II, no Bairro Alves Pereira, onde os funcionários já paralisaram por um dia na sexta-feira passada também pode fechar as portas nos próximos dias. No dia 29 de abril, a prefeitura de Campo Grande chegou a publicar a lista das entidades contempladas com o convênio do Fundeb em Diário Oficial, mas até agora não transferiu as verbas.

O presidente das Obras Sociais Francisco Thiesen que é a entidade mantenedora do Educandário Blaise Pascal, João Carlos Rosa, explica que os 28 funcionários (professores, recreadores, profissionais da limpeza, administrativos, etc) não recebem salários há dois meses e, por isso, não tem condições de manter as atividades. “Suspendemos os serviços por total falta de condições. Não se pode exigir que as pessoas trabalhem sem salários”, argumenta.

A folha de pagamento é de R$ 28 mil. O dinheiro que paga os funcionários vem do Fundeb que até agora a prefeitura de Campo Grande não repassou à entidade. O educandário espera para este ano receber R$ 340 mil referente ao convênio a ser repassados em cinco parcelas de R$ 68 mil, conforme extrato publicado em Diário Oficial. A primeira parcela deveria ter sido depositada em abril, mas não saiu e o poder público não apresentou qualquer previsão, ainda de acordo com o presidente da entidade.

O Fundeb é a principal fonte de renda da entidade que funciona há 20 anos e está sempre em  busca de doações para manter os trabalhos. Apesar da suspensão das atividades diárias, o educandário pretende continuar servindo o almoço para as crianças que frequentam o local. “Sabemos que muitas destas crianças só comem aqui. Elas não têm alimentos em casa”, relata o presidente. Entre as crianças que  frequentam a creche pelo menos 20 moram na favela Cidade dos Anjos,no Jardim das Hortências, reduto de grande vulnerabilidade social. O Educandário Espírita Blaise Pascal oferece maternal, educação infantil e ensino fundamental.

O local, inclusive, tem lista de espera de pais que buscam vagas para os filhos na entidade. Todo atendimento é oferecido de graça.  Na creche João Paulo II que é mantida pelo Clube de Mães Unidas Venceremos, o atraso no pagamento dos salários já entrou no terceiro mês.

Apesar disso, os funcionários seguem trabalhando. “Contudo, não está descartada uma paralisação de vez”, disse uma funcionária.  Na sexta-feira passada, os funcionários chegaram a cruzar os braços, mas decidiram voltar porque a paralisação não tinha seguido todos os trâmites legais, recomendados pelo sindicato da categoria.No local, trabalham 22 funcionários para atender 151 crianças. O atendimento, aliás, é oferecido há 24 anos gratuitamente para as famílias da região.

Prefeitura – Em resposta, a prefeitura de Campo Grande informou que o repasse às duas entidades não foi feito devido à falta de regularização de documentos. “A prefeitura aguarda a prestação de contas da instituição referente aos recursos do convênio de 2015. Essa pendência impede o repasse”, respondeu o poder  público. Contudo, nenhuma das entidades confirma ter pendências na prestação de contas.

(Fonte: Diariodigital)

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