‘Queijo’ e ‘frango’ eram códigos para propina

Diálogos capturados pela Polícia Federal durante a Operação Lama Asfáltica seriam a comprovação do pagamento de propinas para servidores da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) que fraudavam medições ao fiscalizar as obras públicas, inclusive, aquelas executadas pela Proteco, de propriedade de João Amorim que está preso.

Os códigos para o pagamento do dinheiro ilícito seriam as palavras como “queijo” e “frango” várias vezes repetidas por funcionários da Agesul e familiares deles. Em 5 de novembro de 2013, um ex-gerente de obras da Agesul que esteve preso na Operação Fazendas de Lama, segunda fase da Lama Asfáltica, conversa via aplicativo Whatsapp com um engenheiro que também é alvo de investigação e já foi afastado da agência.

O ex-gerente agradece pelo “queijo”. O engenheiro explica que “se gostou, tem mais quando eu for a Rio Negro.” Em 11 de dezembro de 2013, ele informa ao engenheiro também via mensagem que o “queijo chegou.” Para a PF, os diálogos indicam pagamento de propina ao ex-gerente “utilizando-se o código queijo como substitutivo de dinheiro.” O engenheiro que enviava os queijos executava o itinerário Campo Grande – Rio Negro para fiscalizar a execução da obra da MS-430, de responsabilidade da Proteco. A PF deduz que a cada medição da obra de Rio Negro apareceriam mais queijos, ou seja, mais dinheiro em retribuição às fraudes nas medições. “Além disso, reforça esse entendimento o fato de o gerente mencionar novamente queijo seis dias após a primeira menção atribuindo importância muito grande ao alimento”, descreve o documento da Polícia Federal.

O mesmo ex-gerente aparece em diálogo com outro engenheiro lotado na Agesul de Campo Grande, também investigado pela PF. Desta vez, ele utiliza a palavra “frangos”, que para a polícia trata-se de código para “valores presumidamente oriundos de atos ilícitos praticados no acompanhamento de obras públicas.”  Em 15 de novembro de 2014, o ex-gerente pergunta via Whatsapp para o engenheiro da Agesul da Capital. “Onde consigo o frango?”. A resposta é “vou encomendar 4 pra você.”  Horas depois, na mesma data, a esposa do engenheiro envia mensagem para o gerente informando: “Não encontramos os frangos. Só na semana que vem.” Conforme o relatório policial, dias depois da última mensagem com referência aos frangos, a propina realmente teria sido paga como prometeu a esposa do engenheiro.

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Pois, curiosamente, segundo o documento, a família do ex-gerente realizou pagamento por aquisições imobiliárias como um lote em um residencial em área nobre da Capital pelo valor de R$ 241,2 mil. Outra palavra presente no vocabulário de engenheiros da Agesul e proprietários de empreiteiras é a “charope” (escrita com ch pelo ex-gerente). O proprietário de uma empresa contratada pelo governo do Estado para supervisionar e gerenciar obras teria levado “charope” à casa de um engenheiro da Agesul que na verdade seria propina.

O ex-gerente em questão esteve preso entre os dias 10 e 13 de maio quando seu advogado conseguiu a revogação da prisão temporária dele. Junto com ele foram detidas na Operação Fazendas de Lama outras 14 pessoas suspeitas lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e desvios de dinheiro em Mato Grosso do Sul durante o governo de André Puccinelli (PMDB).  Oito pessoas ainda permanecem detidas preventivamente entre as quais João Amorim e o ex-deputado federal e ex-secretário de Obras Públicas Edson Giroto.

O nome da operação, aliás, é uma referência à aquisição de propriedades rurais com dinheiro desviado de contratos de obras públicas, fraudes em licitações e recebimento de propinas.  As investigações ainda estão em andamento em segredo de Justiça. Na superintendência da PF, os investigadores e delegados estão fazendo trabalho minucioso de perícia nos materiais apreendidos no decorrer dos trabalhos.

(Fonte: Diariodigital)

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