Novo Ministro priorizará controle das despesas

O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta sexta-feira, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo, que a primeira medida do governo de Michel Temer na área econômica será o controle do aumento das despesas públicas. “Temos de controlar o crescimento das despesas públicas. Estamos trabalhando em um sistema de metas de despesas, onde não haja crescimento real [descontada a inflação]. As contas deverão ser mantidas em termos nominais. Portanto, é muito importante que essas medidas, quando anunciadas e implementadas, sejam mantidas”, disse.

Meirelles também enfatizou a importância de o governo começar a “dizer a verdade” e ter clareza sobre a situação das contas públicas. “Primeiro nós temos que mostrar o que está acontecendo, fazer um trabalho bastante sério, como já estamos fazendo, de levantamento de dados. A partir daí, com segurança e clareza, vamos tomar as providências e medidas necessárias, em um prazo relativamente breve.”

Ele ainda disse que o déficit de mais de 96 bilhões de reais previsto para o governo central na nova meta fiscal para este ano é substancial, mas “tudo indica” que número é ainda maior. Ele destacou que levantará todos os dados das contas públicas para a seguir anunciar medidas para o reequilíbrio fiscal, incluindo cortes em despesas.

“O que é importante é que se estabeleça uma meta [fiscal]que seja realista e cumprida. E que depois sirva de base para a melhora das contas públicas. Isto é, que as despesas possam ser cortadas, e que a partir daí a trajetória da dívida pública comece a ter um outro nível de direção”, disse.

Sobre uma possível alta da carta tributária, ele avaliou que a recriação da CPMF “preferencialmente” não deveria ocorrer e que não seria instituída de maneira precipitada, mas não descartou sua necessidade.

Ao comentar a reforma da Previdência, o ministro da Fazenda defendeu que se estabeleça uma idade mínima para aposentadoria pelo INSS. “Haverá uma idade mínima de aposentadoria”, disse. “O que precisa é uma determinação de governo. Vamos fazer. E apresentar uma proposta factível para sociedade. Idade mínima com uma regra de transição”, completou.

Meirelles também disse que o presidente do Banco Central (BC) continuará com status de ministro enquanto não for aprovada uma emenda constitucional que mudará essa prerrogativa, estendendo o foro privilegiado também aos diretores do BC.

Como esperado, o ex-presidente do BC assumiu o cargo nesta quinta, após o afastamento de Dilma Rousseff e a chegada do vice, Michel Temer, à Presidência. Ao contrário de seu antecessor, Nelson Barbosa, Meirelles é considerado de posição mais tradicional e ortodoxa na economia, ao defender medidas como uma menor intervenção do governo na economia e uma abertura maior ao capital externo.

(Fonte: Veja.com)

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