Youssef isenta Randolfe, e STF não vê motivo para investigar senador

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato na Corte, decidiu não investigar o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) por suposto recebimento de propina, após o doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do esquema de corrupção investigado pela operação e que havia sido citado como responsável pelo pagamento, negar o repasse de valores ao senador.

O nome de Randolfe foi citado pelo delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, o “Ceará”. O depoimento, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi dado em julho. Nele, Rocha disse que fazia para Youssef serviço de entrega de dinheiro para políticos.

Em relação a Randolfe, Rocha disse que Youssef afirmou, em referência ao senador: “Para esse aí já foram pagos R$ 200 mil”. Ele disse ter questionado o doleiro se ele tinha certeza, e Yousseff teria respondido ter certeza “absoluta”. Rocha, porém, disse não saber se o valor foi efetivamente pago e nem como. Quando o teor do depoimento foi divulgado, Randolfe classificou a citação como “descabida”.

 

Trecho de depoimento em que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) é citado (Foto: Reprodução)
Trecho de depoimento em que o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) é citado (Foto: Reprodução)

A Procuradoria Geral da República, ao opinar pelo arquivamento da investigação, informou ao Supremo que procurou “obter esclarecimentos sobre a situação” com Alberto Youssef e que o doleiro negou qualquer relação com o senador.

“O doleiro, que teria efetuado o repasse de valores ilícitos ao parlamentar e haveria sido a fonte da informação fornecida por Carlos Alexandre de Souza Rocha, negou ambos os fatos”, diz a PGR.

“O declarante afirma que nunca teve a conversa relatada […] que nunca entregou dinheiro a Randolfe Rodrigues; que nunca falou sobre a entrega de valores a Randolfe Rodrigues para Ceará ou para qualquer pessoa; que não conhece Randolfe Rodrigues e nunca teve qualquer relação com ele”, continua a Procuradoria.

Ao determinar o arquivamento da apuração, Zavascki acolheu os argumentos da PGR e afirmou que os elementos colhidos até o momento “não são suficientes” para indicar a materialidade de qualquer crime por parte de Randolfe Rodrigues.

Outros políticos

No mesmo depoimento, Carlos Alexandre de Souza Rocha citou supostos valores repassados ao senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e ao presidente do PSDB, Aécio Neves (MG).

De acordo com Rocha, entre janeiro e fevereiro de 2014, Youssef informou que teria de levar R$ 1 milhão de Recife a Maceió. O delator disse que entregou o dinheiro, em duas partes de R$ 500 mil, para “um homem elegante” num hotel na capital alagoana. Rocha disse ter questionado Youssef  sobre o destinatário do dinheiro, e o doleiro teria respondido: “O dinheiro é para Renan Calheiros”.

O delator também informou que, entre 2009 e 2014, ouviu Alberto Youssef dizer que iria disponibilizar R$ 2 milhões para Renan Calheiros a fim de evitar a instalação de uma CPI para investigar a Petrobras. Ele não informou, no entanto, se o repasse de fato ocorreu. A assessoria de imprensa de Renan negou as acusações.

Ele  afirmou na delação premiada que entregou os R$ 300 mil ao diretor comercial da empreiteira UTC, empresa investigada na Lava Jato por suposta participação em desvio de recursos da Petrobras. Esse diretor, Antonio Carlos D’Agosto Miranda, teria afirmado a Rocha que o dinheiro se destinava a Aécio Neves.

Texto divulgado na página de Aécio Neves no Facebook (leia a íntegra ao final desta reportagem) classifica a menção ao nome do senador no depoimento como “absurda e irresponsável” e afirma que “trata-se de mais uma falsa denúncia com o claro objetivo de tentar constranger o PSDB, confundir a opinião pública e desviar o foco das investigações”.

Confira também

Sabatina de Mendonça pode ser resolvida na CCJ, diz Pacheco sobre impasse

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco(DEM-MG), afirmou nesta quarta-feira (13) que acredita que o impasse …