PGR investiga se Cunha recebeu propina por lobby

O Ministério Público Federal suspeita que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tenha recebido propina do grupo Bertin (conglomerado que atua nas áreas de infraestrutura, energia, agronegócio, entre outros) e da J&F Investimento, que controla a JBS Friboi. Segundo a Procuradoria-Geral da República, os recursos teriam sido pagos por meio de “laranjas”, entre eles o operador de mercado financeiro Lúcio Funaro, apontado como “lavador de recursos” do peemedebista, e uma assessora do gabinete de Cunha.

O deputado é investigado por, supostamente, usar sua influência para que bancos públicos e fundos de pensão investissem em papeis de empresas privadas e, em troca, receber propina das beneficiadas. As investigações miram em uma operação de emissão de debêntures (título da dívida) de quase 1 bilhão de reais, feita em 2012 pela Eldorado Brasil Celulose, do J&F. Os papeis foram adquiridos pelo FI-FGTS, administrado pela Caixa Econômica Federal.

Segundo a PGR, empresas da J&F fizeram repasses de 6,7 milhões de reais, entre 2012 e 2013, à Viscaya Holding Participações, que pertence a Funaro, o que estaria relacionado à liberação dos recursos do FI-FGTS. Apenas em março de 2013, depois da emissão das debêntures, foi repassada a maior parte da quantia – 4,4 milhões de reais. “As transferências para a Viscaya, em valores milionários, provenientes do ‘grupo JBS’, provavelmente dizem respeito a vantagens indevidas em contexto de favorecimento do referido grupo”, diz o relatório da investigação, obtido pelo jornal.

Mensagens de celular de Cunha apontam, de acordo com a Procuradoria, que ele teve uma reunião com o empresário Joesley Batista, da J&F, e com o ex-banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, em 2 de agosto de 2013. Esteves foi preso em novembro, acusado de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. O encontro, no entanto, não foi descrito nos diálogos apreendidos.

As investigações também apontam que Cunha teria usado a empresa de uma de suas assessoras na Câmara para receber recursos da Contern Construções e Comércio, do grupo Bertin. A empresa é detentora de contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e repassou 804.000 reais à Viscaya em 22 de janeiro de 2014. No dia seguinte, a empresa de Funaro fez uma transferência de 100.000 reais para a Tranzabel, que pertencem à Denise dos Santos, lotada no gabinete de Cunha. “Assim, a Contern pagou a Funaro a quantia de 700.000 reais (por intermédio da Viscaya) e 100.000 reais à empresa Tranzabel, de propriedade da assessora de Eduardo Cunha. Em verdade, o dinheiro era destinado a Eduardo Cunha”, afirmou a PGR.

Em nota, o presidente da Câmara reiterou que não recebeu vantagens indevidas e desafiou que se apresentem provas disso. Ele reafirmou ser vítima de “perseguição política”. “As ilações da PGR serão respondidas no fórum e no momento apropriado”, escreveu. Cunha também afirmou que sua relação com Denise é “puramente profissional” e restrita às atividades de seu mandato. A assessora não foi localizada e a informação é de que ela viajando de férias.

Funaro, por sua vez, afirmou que só vai se pronunciar “no fim do recesso do Supremo Tribunal Federal”, enquanto a J&F afirmou, por meio de nota, que algumas de suas empresas estão sendo vítimas de “acusações infundadas e sem qualquer tipo de comprovação”. A empresa assegurou que a captação da Eldorado Brasil “seguiu todos os procedimentos legais” e foi “dentro de regras e remunerações de mercado”.

Sobre o pagamento à Viscaya, a J&F disse que ele foi acertado durante uma negociação entre a família Batista, controladora da J&F, e a família Bertin, para intermediar a saída dos Bertin da holding J&F. Além disso, Funaro havia sido contratado pela Jandele, controladora da Big Frango, para promover a venda da empresa, que foi feita à JBS. A J&F também afirmou que não houve reunião entre Joesley Batistas, André Esteves e Eduardo Cunha. Advogados do grupo Bertin informaram que Lúcio Funaro foi contratado para tratar de uma disputa societária envolvendo o grupo.

 

 

Fonte: Veja.com

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