Moscou afirma que Otan está montando preparativos militares em torno da Rússia

O rearmamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos países do leste da Europa e no Báltico, na fronteira com a Rússia, está tomando forma de “preparativos militares contra Moscou”, advertiu o embaixador russo na Aliança, Aleksandr Grushko, em entrevista publicada nesta segunda-feira pela agência Interfax. “A Otan voltou à política de contenção da Rússia, aos instrumentos de confronto para garantir sua segurança. Tudo isto toma a forma de preparativos militares concretos em torno das fronteiras da Rússia e investir nesta tendência será complicado inclusive se houver vontade política”, lamentou Grushko.

A Aliança Atlântica, ressaltou o diplomata russo, voltou a pôr “a armadura da Guerra Fria e não tem intenção de tirá-la”. “O que se tenta é levantar uma nova Cortina de Ferro na Europa, forçar os europeus esquemas de segurança da época do confronto, e de quebra demonstrar que a Aliança é capaz de defender seus interesses”, recalcou Grushko.

Os Estados Unidos confirmaram em junho seus planos de desdobrar temporariamente tanques, veículos blindados e artilharia em Bulgária, Polônia, Romênia, Estônia, Letônia e Lituânia. As relações entre Rússia e a Otan se deterioraram nos últimos anos e chegaram a um nível sem precedentes desde a desintegração da União Soviética, primeiro pelos planos dos EUA de desdobrar um escudo antimísseis no leste da Europa e depois pela crise da Ucrânia.

A Aliança Atlântica reforçou notavelmente sua presença militar desde a anexação russa da Crimeia e a sublevação pró-russa no leste da Ucrânia. A Otan também inaugurou seis novos quartéis-gerais no leste da Europa, o que o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, qualificou como o maior plano de rearmamento da Otan desde a Guerra Fria. Esses quartéis, que funcionarão como centros de planejamento e coordenação para missões de treinamento das forças de resposta rápida, foram abertos em Estônia, Letônia, Lituânia, Bulgária, Romênia e Polônia, os países mais preocupados com a ingerência russa na Ucrânia.

 

 

(Com agência EFE)

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