Uma das ilhas do Arquipélago de Abrolhos, que pode ser ser afetado pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (Oscar Cabral/VEJA)

Lama pode matar os corais de Abrolhos

Se a mancha de lama que foi observada na região do Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, for mesmo a resultante do rompimento da barragem de minérios da Samarco, o impacto sobre a biodiversidade que vive ali pode ser catastrófico. Essa é a avaliação de cientistas que trabalham no local.

O alerta de que os resíduos poderiam ter atingido uma das áreas de maior diversidade de corais do Atlântico Sul foi feito pelo Ibama, com base em imagens de satélite e observações aéreas.

Ontem, o secretário estadual do Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler, também sobrevoou o local e disse que o arquipélago em si “está sem mancha aparentemente”, mas que no mar mais próximo da costa a água está bastante turva e, ao norte de Abrolhos, em direção a Porto Seguro, foram vistas manchas escuras.

Spengler não descartou que a lama da Samarco possa ter chegado ali. “É temerário dizer que é, mas também é temerário dizer que não é”, afirmou. Ele encomendou análises de amostras do material paralelas às que também estão sendo feitas pela Samarco, por determinação do Ibama.

O motivo da turbidez, ao menos para a área mais próxima da costa, pode ser as chuvas que caíram na região nos últimos dias, que poderiam ter levado mais sedimentos para o mar.

Para o pesquisador Ronaldo Francini-Filho, da Universidade Federal da Paraíba, que há 15 anos monitora espécies de peixes e de corais de Abrolhos e tem acompanhado a movimentação dos rejeitos de minério, se for confirmada a suspeita, pode acontecer uma mortandade em massa dos corais. O maior risco é que a lama cause um sombreamento na área.

Em outros pontos por onde os rejeitos avançaram desde Minas Gerais, pelo Rio Doce, até desaguar no mar, observou-se que a luz não passa de 10 centímetros de profundidade. “Sem luz, os recifes de corais morrem por não fazer fotossíntese”, afirma. Para o biólogo também há o risco de os sedimentos cobrirem os corais. “Se isso acontecer, fica mais difícil a recuperação, porque inibe o recrutamento de novos corais.”

Ele concorda, porém, que, por enquanto, é difícil ter certeza de que se trata da lama, visto que as chuvas recentes deixaram as águas da região mais turvas. Segundo Francini-Filho, a região do arquipélago é de altíssima sedimentação e costuma ter maior turbidez em situações de frentes frias, tempestades e muito vento. Portanto, há uma possibilidade de se tratar de sedimentação natural.

 

 

(com Estadão Conteúdo)

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