Moradores cedem calçada para sem tetos

Ocupantes esperam reunião que será realizada na próxima segunda-feira (04)

Os sem-teto que ocupavam uma área pública invadida no bairro Iracy Coelho, que foi desocupada na tarde de ontem, 28, agora contam com a ajuda dos próprios moradores da região, que afirmam preferir a ocupação dos sem-teto na área, do que o lixão que ficava no local. Além de colaborarem com alimentação e higiene, estão até cedendo calçada de suas casas para instalação de barracas dos despejados.  “Eu prefiro que seja ocupado por moradores, ao invés de lixo”, afirma a moradora Luzia Rosa Ferreira, 44 anos. Ela conta que a área pública foi esquecida e servia como lixão, podendo encontrar animais mortos, entulhos e até motos roubadas.

Segundo a moradora, a mesma cansou de encontrar ratazanas em sua casa, e crianças da região sempre estão doentes por causa do local, que possui focos do mosquito da Aedes aegypti. Leonardo de Souza, 30 anos, um dos ocupantes do local, conversou com os vizinhos da redondeza, antes da ocupação. Segundo ele, todos apoiaram a ideia, pois o local estava em completo descaso. Leonardo disse também que está disposto a comprar parte do terreno. Rildo Alem Lopes de 50 anos, líder da ocupação, disse que o local está abandonado há cerca de 10 anos e que a limpeza foi feita por eles, que aguardam reunião na próxima segunda-feira (04), na Empresa Municipal de Habitação (Emha) para discutir a situação das famílias. Ontem, a negociação foi tensa, mas as famílias sem-teto desistiram, por enquanto, de construir casas de tijolos no terreno da prefeitura. Pela manhã, uma casa já estava quase pronta e outras duas sendo erguidas quando representantes da Emha chegaram e pediram às famílias que deixassem o local. Em princípio, elas se recusaram. A Guarda Municipal foi acionada. Doze viaturas estavam no local, além de quatro motocicletas e uma equipe da Polícia Militar.

Um trator também foi levado ao local, mas diante do acordo não foi preciso derrubar as construções, que permanecerão no terreno desocupadas até a reunião.  Contudo, as famílias foram alertadas de que além de terem paralisado as construções, não devem permanecer na área. Algumas pessoas pretendiam acampar no terreno, mas foram advertidas pela Guarda Municipal de que tal conduta não é permitida. As famílias vieram de vários bairros da Capital como Guanandi, Dom Antônio, Los Angeles, São Conrado e outros. A maioria alega não conseguir mais pagar o aluguel ou estar há anos morando de favor na casa de amigos. Alguns reclamam ainda de estarem há muitos anos na fila da Emha, sem nunca terem sido contempladas com uma casa.

O representante da Emha, Pedro Vendramini, garantiu que o órgão está disposto a ouvir as famílias e estudar caso a caso. Contudo, ele explicou que a permanência delas na área pública no Iracy Coelho não é permitida por se tratar de uma invasão, o que é ilegal. Além da Emha, representantes das secretarias de Assistência Social, Meio Ambiente e outras estiveram no local. Assistentes sociais, inclusive, cadastraram as famílias que estavam na área para providenciar ajuda.

 

 

Fonte: Diariodigital

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