Levy é evasivo e não responde se deixará governo

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, insistiu nesta sexta-feira em respostas evasivas sobre sua saída do governo, mesmo após intensos ruídos de que estaria deixando a pasta. “O ano legislativo se encerrou e isso abre umas tantas alternativas. Evidentemente meu objetivo não é criar nenhum tipo de constrangimento ao governo”, afirmou em café da manhã com jornalistas, em Brasília. “É importante ter clareza de exatamente quais são as prioridades até em função de todas as diversas demandas sobre o governo, sobre a presidente, e eu acho que qualquer caminho vai ser muito em função disso”, acrescentou.

As notícias sobre a saída do ministro ganharam força nos últimos dias, turbinadas pela decisão do governo de buscar uma meta de superávit primário para 2016 que previsse abatimentos que poderiam, na prática, anular o esforço fiscal. “Espero continuar confortável em tudo que faço”, disse Levy. O ministro sempre foi contrário ao afrouxamento, avaliando que diminuiria a pressão para parlamentares aprovarem medidas de ajuste, aumentando a desconfiança de agentes econômicos com o real esforço para o reequilíbrio das contas públicas.

Nesta quinta-feira, no entanto, o Congresso aprovou uma meta de superávit menor, de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), sobre 0,7% defendido por Levy, mas barrou a possibilidade de descontos, como inicialmente queria o Executivo. Diante do constante vaivém quanto ao alvo de economia para pagamento dos juros da dívida pública, o Brasil perdeu o grau de investimento pela agências de classificação de risco Fitch e Standard & Poor’s.

Nesta manhã, Levy avaliou em diversos momentos que a economia reagirá após a superação das incertezas políticas. Disse ainda que a perspectiva de impeachment da presidente Dilma Rousseff é pequena “porque as pessoas não querem mais incerteza”.

O ministro afirmou que as indicações vindas de Brasília têm de ser de mais tranquilidade e que mostrem rumo. Em tom de retrospectiva, Levy avaliou que a maior parte das prioridades que havia estabelecido para o ano foram pelo menos encaminhadas “de maneira muito concreta”.

“Isso evidentemente nos dá uma certa tranquilidade, mas não necessariamente implica nenhuma ação, vamos dizer assim, específica imediata. É mais uma observação de que a gente está no caminho certo”, afirmou durante o encontro com jornalistas.

(Com agência Reuters)

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