Após reunião com FHC e governadores, Aécio anuncia que PSDB está coeso em relação ao impeachment e ciente de sua responsabilidade

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, se reuniu na noite desta quinta-feira (10/12), em Brasília, com todos os governadores do partido, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com os líderes na Câmara e do Senado para avaliar o agravamento da crise política. Após a reunião, Aécio afirmou que há um sentimento dominante no partido de que as razões para a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff são consistentes e que o processo ganha força a cada dia.

“Há um sentimento hoje em todo o PSDB de que o processo de impeachment da presidente da República ganha força. E o esforço do PSDB é para que esse debate, essa discussão, se dê dentro daquilo que propõe a peça assinada pelo ex-ministro Miguel Reale, pelo jurista Hélio Bicudo e pela advogada Janaína. A discussão tem que se dar em torno da acusação de que a presidente da República cometeu crime de responsabilidade. Ela deve ter todo o direito a defesa, mas há um sentimento hoje convergente dentro do PSDB de que as razões objetivas para que o impeachment venha a ser aprovado pela Câmara dos Deputados e depois pelo Senado estão colocadas”, afirmou o senador Aécio Neves. A declaração foi dada após reunião com os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin; do Paraná, Beto Richa;, do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja; de Mato Grosso, Pedro Taques; do Pará, Simão Jatene; e de Goiás, Marconi Perillo; na sede da Executiva Nacional do PSDB em Brasília. Além dos governadores e de FHC, participaram do encontro os líderes do partido na Câmara, Carlos Sampaio, e no Senado, Cássio Cunha Lima, o senador José Serra, e o vice-líder na Câmara, Nilson Leitão.

Na entrevista, o senador também afirmou que o partido vai apoiar os movimentos de rua favoráveis ao impedimento da presidente Dilma. Aécio ressaltou que é importante que a chefe do Executivo tenha amplo direito à defesa, mas que a petista precisa parar de apresentar justificativas para acusações que não pesam contra ela, numa tentativa de desviar o foco de ter cometido crime ao desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal, conforme apontaram os ministros do Tribunal de Contas de União (TCU) ao apreciar as contas da presidente. “Estaremos, portanto, apoiando os movimentos de rua e apoiando os movimentos favoráveis ao impeachment, mas com absoluta serenidade. Não queremos transformar isso em um grande Fla-Flu. Existe, hoje, no Brasil, pleno estado de direito, os pilares básicos para que essa proposta fosse colocada em votação existem, e nós temos que ter a serenidade para discuti-la não como vem fazendo a presidente da República, se defendendo de acusações que não lhe são feitas e se omitindo em relação àquelas que foram formalizadas em relação a ela”, ressaltou.

O senador Aécio Neves destacou também que a avaliação das principais lideranças do PSDB é de que a presidente Dilma perdeu as condições de enfrentar a grave crise política e econômica na qual o governo dela mergulhou o Brasil. “O PSDB está absolutamente coeso, convergente, sabendo da sua responsabilidade hoje e no futuro e a nossa percepção final é de que a presidente da República vem, dia a dia, perdendo as condições de enfrentar essa crise e tirar os brasileiros das profundezas na qual o governo do PT e ela própria nos colocou. Portanto, é uma reunião para afinar a orquestra, nós estaremos, cada vez mais, conversando e convergindo no sentimento de que cabe à presidente da República dar respostas formais e definitivas às acusações que lhe são feitas, e não continuar a responder à acusações que jamais lhe foram feitas”, disse Aécio Neves.

Impeachment não é golpe

 O presidente nacional do PSDB voltou a rebater declarações dadas por Dilma e seus aliados de que o processo de impeachment é uma ameaça à democracia. Aécio foi contundente ao afirmar que o impedimento da presidente da República está previsto na Constituição brasileira no caso de cometimento de crime de responsabilidade, e é justamente essa acusação que pesa contra a petista.”Não podemos aceitar que um processo como esse, previsto na Constituição, que segue o rito adequado previsto no regimento do Congresso Nacional possa ser acusado de um movimento golpista. Não é. O que nós estamos decidindo no Brasil hoje é se a Lei vale para todos, inclusive para a presidente da República. É essa a resposta que os brasileiros aguardam”, disse o senador Aécio Neves.

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