Combustível faz inflação disparar em Campo Grande

Índice de outubro é de 0,97% bem maior que o registrado em setembro, de 0,57%
A inflação voltou a subir em Campo Grande no mês de outubro. O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), divulgado mensalmente pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas (NEPES) da Uniderp, fechou em 0,97%, índice bem maior que o registrado em setembro (0,57%). O indicador é o quinto maior deste ano. No comparativo, de outubro de 2014, o indicador de 2015 ficou 0,45% maior. “Há treze anos não possuíamos um índice tão alto, na análise exclusiva dos meses de outubro,. Em 2002 o IPC/CG de outubro foi de 2,24%”, analisa o coordenador do Nepes e pesquisador da Uniderp, Celso Correia de Souza. Os grupos com maiores percentuais de contribuição para a elevação da inflação na capital foram: Transportes (0,46%), Alimentação (0,34%) e Educação, com (0,12%), entre outros com menores contribuições.
Deflação em outubro foi registrada apenas com o grupo Vestuário (-0,30%). Com relação ao grupo Transportes houve alta significativa, da ordem de 3,09%, devido aumentos nos preços: do etanol 13,68%, diesel 3,92%, gasolina 3,16% e automóvel novo 0,27%, índices que impulsionaram a inflação. Inflação acumulada – A inflação acumulada nos últimos doze meses, em Campo Grande, é de 10,32%, muito acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%. As maiores inflações no período, por grupo, foram com: Habitação (13,11%), Transportes (12,51%), Despesas Pessoais (10,36%) e Alimentação (12,31%). Para Celso Correia, a escalada da inflação sinalizada anteriormente se concretizou. “A inflação acumulada em 12 meses na cidade de Campo Grande rompeu o patamar dos dois dígitos, o que não acontecia desde o ano de 2003, quando atingiu 11,82%. O fato é negativo para as autoridades governamentais e para o contribuinte que está vendo seu salário reduzir o potencial de compra”. Considerando os 10 meses de 2015 a inflação acumulada já ultrapassou o teto da meta, chegando a 9,23%.
Destacam-se com as maiores inflações acumuladas os grupos: Habitação (12,85%), Despesas Pessoais (9,99%), Alimentação (9,97%), Transportes (9,70%) e Educação (9,40%). Dez mais e dez menos – Os dez mais e os dez menos do IPC/CG – Os responsáveis pelas maiores contribuições para a inflação do mês de outubro foram com: etanol (0,25%), diesel (0,10%), gasolina (0,10%), sabão em pó (0,06%), hidratante (0,05%), arroz (0,04%), laranja pera (0,03%), bebidas não alcoólicas (0,03%), açúcar (0,03%) e bebidas alcoólicas (0,03%). Já os dez itens que mais ajudaram a segurar a inflação nesse período com contribuições negativas foram: cebola (-0,07%), camisa masculina (-0,03%), carne seca/charque (-0,03%), frango congelado (-0,02%), máquina de lavar roupa (-0,02%), calça comprida masculina (-0,02%), impressora (-0,02%), esponja de aço (-0,02%), sapato feminino (-0,01%) e cenoura (-0,01%). Segmentos – Em outubro, o grupo Habitação apresentou uma pequena elevação em seu índice, de 0,13%, em relação ao mês anterior. Alguns produtos/serviços deste grupo que sofreram majorações de preços foram: vassoura (9,81%), vela (4,24%), inseticida (3,88%), entre outros. Quedas de preços neste grupo ocorreram com: máquina de lavar roupa (-6,63%), limpa vidros (-6,24%), esponja de aço (-4,76%), entre outros com menores quedas. O índice de preços do grupo Alimentação registou alta expressiva em relação ao mês anterior, da ordem de 1,65%. Os maiores aumentos de preços que ocorreram em produtos desse grupo foram com: limão (53,04%), chuchu (34,60%), laranja pera (17,46%), farinha láctea (12,87%), entre outros.
Fortes quedas de preços ocorreram com: cebola (-52,06%), manga (-26,83%), pepino (-15,15%), entre outros com menores quedas. Clima – O pesquisador da Uniderp explica que além da influência de fatores climáticos e da sazonalidade de alguns produtos, principalmente, verduras, frutas e legumes, o aumento de preços nesse grupo deverá ser maior nos próximos meses. “A elevação no mês passado foi significativa e a tendência de aumento permance devido o alto consumo com as festas de final de ano”, analisa. Dos quinze cortes de carnes bovinas pesquisados pelo NEPES da Uniderp, doze deles sofreram aumentos de preços. Os maiores aumentos de preços ocorreram com: coxão mole (6,87%), lagarto (5,40%), fígado (4,78%), músculo (3,87%), picanha (3,38%), cupim (2,54%), acém (2,42%), costela (2,30%), patinho (2,11%), contra filé (1,86%), filé mignon (1,34%) e alcatra (0,88%).
As quedas de preços foram com: paleta (-1,63%), ponta de peito (-0,48%) e vísceras de boi (-0,44%). O pesquisador da Uniderp afirma que preços da carne bovina devem continuar subindo nos próximos meses devido às festas de final de ano, ocasião de alto consumo desse produto, e complementa que “a valorização da carne bovina também está atrelada principalmente à baixa oferta de boi gordo para o abate e a entrada de boi de confinamento, que historicamente tem um preço mais elevado do que o boi de engorda a pasto. Também, o real desvalorizado frente ao dólar tem favorecido à exportação do produto, diminuindo a oferta no mercado interno de carne bovina. Além disso, deve estar havendo uma migração de consumidores dos cortes mais caros para cortes mais baratos de carne bovina, bem como, para a carne suína, majorando os seus preços,” avalia Celso Correia. A carne suína também ficou mais cara em outubro. O pernil subiu 7,42%, a costeleta e a bisteca inflacionaram 2,54% e 0,31%, respectivamente. Optar pelo frango pode ser uma alternativa para os consumidores.
O levantamento do NEPES aponta que essa carne registrou queda de preço de (-2,54%), bem como o miúdo, com deflação de (-0,13%). Elevação também foi constatada com o grupo Educação que apresentou uma moderada inflação em seu índice, de 1,28%, devido a aumentos de preços em produtos de papelaria (3,46%). Seguindo o mesmo comportamento, o grupo Despesas Pessoais registrou alta de 0,36%. Alguns produtos/serviços desse grupo que tiveram aumentos de preços foram: hidratante (11,34%), xampu (5,96%), sabonete (4,81%), entre outros. Queda de preço ocorreu apenas com fio dental (-4,42%). O grupo Saúde registrou elevação de 0,17%. Os produtos deste grupo que tiveram os maiores aumentos foram: analgésico e antitérmico (3,48%), material para curativo (2,34%), vitamina e fortificante (0,90%), entre outros com menores aumentos. As maiores quedas de preços ocorreram com os produtos: antiinflamatório e antireumático (-0,28%), antiinfeccioso e antibiótico (-0,13%), antialérgico e broncodilatador (-0,07%), entre outros com menores quedas de preços. Ao contrário de Saúde, o grupo Vestuário apresentou pequena queda de -0,30%. Aumentos de preços que ocorreram com: blusa (1,76%), vestido (1,47%), lingerie (1,26%), entre outros. Quedas de preços aconteceram com: camisa masculina (-5,18%), sapato feminino (-2,60%), calça comprida masculina (-1,37%), entre outros. IPC/CG – O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC / CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O Índice busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Uniderp divulga mensalmente o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande.
Fonte: Diariodigital

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