Sem terras entram com requerimento para barrar judicialmente pedido de reintegração de posse de fazenda ocupada em Nova Andradina

As mais de mil famílias estão ocupando a fazenda Saco do Céu, no município de Nova Andradina, desde o dia 21 de agosto de 2015

Diante da inércia dos órgãos responsáveis, cerca de mil famílias de sem terras, cansados de esperar, anos, décadas, em baixo da lona preta, arriscam suas vidas para garantir um pedaço de terra, onde possam criar seus filhos e viver com dignidade, ocupando a fazenda Saco do Céu, que fica localizada no município de Nova Andradina (MS), na região de Nova Casa Verde, na madrugada de 21 de agosto deste ano. Os acampados fazem parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Mato Grosso do Sul (MST) e alguns já possuem mais de 12 anos vivendo em acampamentos na beira da estrada.

Após a ocupação, por diversas vezes o Movimento denunciou a presença de milícias armadas na área, ameaçando a integridade física de mulheres, crianças e idosos que estão acampados em busca de uma vida digna.

Os canais de diálogo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) também foram abertos, mas até o presente momento nada se resolveu ou se encaminhou e nesta semana as famílias ficaram sabendo da solicitação judicial de reintegração de posse, promovida por Anely Conceição Liguori Tomaino, com o objetivo de retirar à força as famílias do local.

Em Assembleia Geral da ocupação os Sem Terras definiram por entrar com um requerimento, pedindo ao Juiz de Direito da 2ª Vara Cível do Foro da Comarca de Nova Andradina, a suspensão da reintegração, cobrando do INCRA um posicionamento e dos organismos responsáveis, garantias para que eles possam colher o que já foi plantado na terra nestes meses de ocupação. Este requerimento também tem como objetivo garantir a segurança destas famílias acampadas e evitar qualquer confronto com as forças policiais que devem ser chamadas para a despejo dos sem-terras.

O MST já possui conhecimento de que a área já foi vistoriada pelo INCRA, que há algum tempo atrás a proprietária já teria manifestado interesse em vender a fazenda, mas a situação não se resolve e, enquanto isso, famílias vivem há mais de doze anos, em três acampamentos, às margens de rodovias na região, como dito acima.

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