Enquanto crianças ficam sem merenda, Prefeitura jogou fora quase 5 toneladas de alimentos

Enquanto crianças ficam sem merenda nas creches e escolas municipais, a Prefeitura de Campo Grande jogou fora quase cinco toneladas de alimentos. Essa é a quantidade totalizada dos produtos vencidos que foram identificados no depósito da Suali (Superintendência de Abastecimento Alimentar) após a troca de comando na Prefeitura de Campo Grande, e que foram incinerados na terça-feira (13).

A quantidade dos alimentos vencidos, 4,8 toneladas, foi divulgada nesta quinta-feira (15) pela Prefeitura. A reportagem do jornal Midiamax solicitou à Prefeitura o valor dos alimentos jogados fora, mas não foi informada até o fechamento deste texto.

Os alimentos, segundo a prefeitura divulgou, foram descobertos pelo prefeito Alcides Bernal (PP), que havia ido ao local verificar pessoalmente como estavam os estoques da merenda da Rede Municipal de Ensino. As compras, deixou claro o prefeito, eram da administração anterior, de GIlmar Olarte, que foi afastado do cargo pela Justiça em agosto.

Segundo a Prefeitura, das quase cinco toneladas, seiscentos e vinte quilos eram de carne. Também foram descartados pacotes de arroz, feijão, fubá e alguns litros de óleo, todos impróprios para consumo devido à data de validade, conforme apurado pela Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde.

O depósito da Suali irá passar por uma higienização, antes do armazenamento dos alimentos que serão entregues pelos fornecedores da Prefeitura para atender a demanda da merenda escolar. Ainda não foi revelado quando será feita a higienização, apenas que será de responsabilidade da Seinthra (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação).

Falta de merenda

Enquanto a Prefeitura encontrava merenda estragada no depósito, crianças ficavam sem ter o que comer, em uma crise de falta de alimentos, que até a semana passada ainda era denunciada ao Midiamax. Teve creche que realizou pastelada com a ajuda dos pais e ainda vendia o salgado a dois reais, para arrecadar dinheiro para comprar a merenda.

O caso da merenda estragada foi denunciado ao MPE (Ministério Público Estadual). Foi aberto um procedimento de investigação em razão do desperdício de alimentos e determinada uma perícia.  A partir dessa investigação, a promotoria pode responsabilizar a administração pública por deixar a comida ir para o lixo.

Nesse caso, a responsabilização é pessoal e pode envolver ex-prefeito Gilmar Olarte, que foi afastado do cargo no dia 25 de agosto, implicado em uma investigação sobre suposto esquema de compra de votos de vereadores para cassar Bernal.

A Defensoria Pública do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul marcou para o dia 23 de outubro audiência sobre a merenda escolar. As principais denúncias são a falta de merenda e os alimentos encontrados estragados. Ainda não foram divulgados os convocados.

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