Delator diz que Collor pressionou BR Distribuidora em transação de R$ 1 bi

Senador foi citado por Fernando Baiano e também por Alberto Youssef, segundo quem Collor era beneficiário de propina em esquema na subsidiária da Petrobras

Reviravolta: de inimigo visceral do PT nos anos 90, Fernando Collor converteu-se em um de seus mais fieis aliadosSenador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL)(Cristiano Mariz/VEJA)

O lobista Fernando Baiano, apontado pelo Ministério Público como operador do PMDB no escândalo do petrolão, disse aos investigadores que o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) pressionou a BR Distribuidora a comprar uma grande quantidade de álcool de uma safra futura de usinas indicadas pelo parlamentar. O valor da transação: 1 bilhão de reais.

A informação sobre a atuação de Collor foi repassada a Baiano pelo ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, já condenado pelo juiz Sergio Moro em processos relacionados ao petrolão. Delator da Lava Jato, Baiano disse que não sabe se Cerveró operava também na BR Distribuidora, da qual já foi dirigente, mas afirmou que o ex-diretor comentava sobre negociações ilícitas envolvendo políticos. Ele não deu mais detalhes sobre a operação de Collor da BR, subsidiária da Petrobras loteada, por exemplo, pelo PTB, partido do senador.

Na trilha da Operação Lava Jato

Em agosto, Fernando Collor foi denunciado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Em acordo de delação premiada, o doleiro Alberto Youssef já havia apontado o senador alagoano como beneficiário de propina em uma operação da BR Distribuidora. A distribuição do dinheiro sujo contava com a participação do ex-ministro de Collor, Pedro Paulo Leoni Ramos, dono da GPI Investimentos e amigo de longa data do senador. Na triangulação do suborno, foi fechado um contrato com uma rede de postos de combustível de São Paulo e que previa a troca de bandeira da rede, para que o grupo se tornasse um revendedor da BR Distribuidora. O negócio totalizou 300 milhões de reais, e a cota de propina, equivalente a 1% do contrato, foi repassada a Leoni Ramos, que encaminhava finalmente a Collor.

Na explosiva delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, Fernando Collor também foi citado como o destinatário de 20 milhões de reais em propina, pagos pela construtora entre 2010 e 2012, para que o senador defendesse interesses da companhia com a BR Distribuidora.

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