Cunha negou em março à CPI da Petrobras ter contas no exterior

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou emdepoimento à CPI da Petrobras, em março deste ano, que não possuía nenhuma conta bancária no exterior. A declaração foi dada meses antes de vir à tona investigação aberta pelo Ministério Público suíço, que aponta a existência de contas no nome dele no país europeu.

A Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou nesta quarta-feira (30) que o Ministério Público da Suíça enviou ao Brasil osautos de uma investigação sobre Cunha por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção passiva e que apontaria a existência de contas bancárias em nome dele e de parentes no país europeu. O volume de recursos encontrado é mantido em sigilo e foi bloqueado pelas autoridades suíças.

Cunha prestou depoimento à CPI em 12 de março de forma espontânea, assim que saiu a lista dos políticos investigados pela Operação Lava Jato, que apura um esquema de corrupção na Petrobras. As investigações do Ministério Público suíço começaram em abril deste ano, segundo informou a PGR.

Na ocasião, o peemedebista foi questionado pelo deputado Delegado Waldir (PSDB-GO) sobre a existência de contas na Suíça ou em algum paraíso fiscal. Cunha negou: “Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu imposto de renda”, disse.

 

ação de renda entregue à Justiça Eleitoral nas eleições de 2014, Cunha informou ter patrimônio de R$ 1,65 milhão, incluindo apenas uma conta no banco Itaú, com saldo de R$ 21.652,39.

Em outro momento da sessão da CPI, a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) insistiu na questão e voltou a questioná-lo sobre contas no exterior.

“Vossa Excelência também afirmou que não possui contas no exterior, mas eu gostaria de fazer novamente essa pergunta com uma complementação: Vossa Excelência pode afirmar nesta CPI que não possui contas no exterior em seu nome ou em offshores em que Vossa Excelência, porventura, seja sócio?”, perguntou Clarissa.

Cunha, porém, respondeu a outros questionamentos da deputada, mas ignorou o que tratava do tema.

Novas denúncias
Diante das informações enviadas pela Suíça, Cunha tem se recusado a responder se tem ou não conta no exterior.

O advogado que faz a sua defesa, Antonio Fernando de Souza, divulgou uma nota à imprensa em que também não responde à pergunta e diz apenas que não tem conhecimento sobre a investigação na Suíça e que se manifestará somente nos autos do processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).

A Procuradoria Geral da República apresentou denúncia contra Cunha no Supremo em agosto sob a acusação de que teria se beneficiado do esquema de corrupção na Petrobras. Quatro delatores, incluindo o doleiro Alberto Youssef e os lobistas Júlio Camargo, Fernando Baiano e João Augusto Henriques, o acusam de receber propina do esquema.

 Outro delator da Lava Jato, o ex-gerente-geral da área Internacional da Petrobras Eduardo Vaz Costa Musa aponta Cunha como responsável por dar a palavra final nas indicações a uma diretoria da estatal.

Em seu depoimento, Henriques confirmou ter depositado dinheiro em uma conta no exterior que veio a saber depois era de Cunha. Segundo o relato do lobista, o repasse era para pagar propina a Cunha pela aquisição, pela Petrobras, de um campo de exploração em Benin, na África.

Se ficar comprovado que o presidente da Câmara tem alguma conta no exterior, o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), informou nesta quinta-feira (1º) que pretende acionar oConselho de Ética contra ele por quebra de decoro por ter mentido. “Com certeza iremos recorrer ao Conselho de Ética”, disse.

Pelo Código de Ética da Câmara, a prestação de informação falsa ou a omissão de informação patrimonial relevante é um dos motivos que configuram “procedimentos incompatíveis com o decoro parlamentar, puníveis com a perda do mandato”.

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