Beto vira personagem da Zahran, depois de cobrir fachada com fotos dele mesmo Lucas Arruda

Andando pela avenida Zahran, quase chegando à Rui Barbosa, a “fachada” da gráfica Beto Publicidade chama a atenção pelo banner com mais de uma dezena de fotos de um mesmo homem. Tem ele com touca andina, com crianças, sem camisa, ao lado de uma senhora e por aí vai.

Ao entrar na loja, quem recebe a equipe do Lado B é justamente o cara das fotos, Edalberto Aparecido de Lima, mais conhecido como Beto. Ele estava atendendo um cliente, sem camisa e bem à vontade. “Aqui é minha segunda casa e é muito quente também”, justifica.

Depois de colocar uma camisa, se sentindo claramente incomodado por isso, ele inicia sua história. Beto começou o negócio ali há 30 anos, mas por quase 20 anos trabalhou em outros pontos da região até retornar ao atual e antigo endereço em 2010.

A paixão de Beto por fotos é antiga, ele tem várias desde a adolescênciaA paixão de Beto por fotos é antiga, ele tem várias desde a adolescência

A ideia do banner com suas fotos é recente. Há apenas um ano sua “fachada” é daquele jeito. “Foi uma doideira que fiz que acabou dando certo. Coloquei para mostrar a qualidade da impressão, mas chama atenção e atrai novos clientes por outros motivos”, diz ele.

Mas o motivo de tamanha exposição não é vaidade, assegura. “Você pode ver, são fotos espontâneas, algumas em que eu acabei de acordar, outras com meus filhos, mostra como sou, que sou de família. Não é que nem as que todo mundo publica no Facebook, lá só estão as bonitas, as minhas aqui são reais”, frisa.

A paixão pelas fotos é antiga. Num álbum surrado e bem velho ele exibe com orgulho fotografias tiradas quando ainda era adolescente, época em que iniciou o trabalho com comunicação visual. “Quando tinha 14 anos comecei a pintar letreiros nas fachadas de estabelecimentos, paredes. Sempre fiz isso e acho que vou morrer trabalhando com a mesma coisa”, afirma.

Hoje ele tem 49 anos. Dos letreiros, foi para as impressões em banners, faixas, placas e outros materiais. Na gráfica, ele tem a ajuda de um arte-finalista que trabalha durante as manhãs, mas garante que a maior parte do serviço é feita por ele mesmo e, apesar de saber mexer nos programas de edição, nunca fez um curso.

“Eu não tenho curso de nada, tudo que aprendi foi com a vida mesmo, praticando. Em 1997 comprei meu primeiro computador, quando estava começando a era da impressão digital. Comecei a fuçar nele e deu certo”, recorda. “Mesmo se meu funcionário não vier dou conta do recado”, completa.

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