Pedro Kemp acredita que União é a solução para o impasse no campo

O deputado Pedro Kemp (PT), líder do partido na Assembleia Legislativa, opinou sobre a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), requerida na sessão desta terça-feira (1/9), pela parlamentar Mara Caseiro (PTdoB), para investigar a possível influência do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), na suposta incitação de indígenas para invadir propriedades rurais no estado de Mato Grosso do Sul. Kemp citou matéria do jornal Correio do Estado, que elenca 95 fazendas ocupadas.

“Eu não acredito que tenham sido [ocupadas]com o financiamento ou incentivo do Cimi, a criação de uma CPI agora mudará o foco do problema, que é tão tenso em nosso Estado”, declarou o deputado. Sobre o Cimi, Kemp apresentou o recebimento de uma carta do Arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Campo Grande, Dom Dimas Lara e leu trechos em que o religioso teria dito que o Cimi e a Igreja Católica são “demonizados” e que sabe da investigação da Polícia Federal há muito tempo.

Segundo o arcebispo teria dito em carta, a União é a prncipal culpada por titular as terras no então Mato Grosso uno. Na carta ainda é solicitada a intervenção do governo Federal, segundo Kemp. O deputado acrescentou que a CPI não contribui, pois está uma situação tensa sobre os conflitos.

“Enquanto parlamentares temos que ter a responsabilidade de buscar uma solução pacífica e definitiva. A bancada do PT entende que não há fato determinante a ser investigado, para que a CPI seja criada, portanto amanhã será protocolado um requerimento contestando essa criação”, considerou.

Para ele, as invasões no município de Antônio João são um fato isolado, com a morte de um indígena, sem a devida apuração. “É preciso a conclusão dos inquéritos sobre a morte do indígena, além disso, precisamos somar forças ao governo estadual e a bancada federal para tomar medidas para acalmar a situação”, completou.

Por outro lado, a deputada Mara Caseiro considera que a investigação do CIMI “prestará um favor à Igreja Católica, já que o Conselho já vem sendo investigado pela Polícia Federal”. Para ela é preciso avaliar quem tem a culpa. “São muito contundentes os comentários. são fortes os indícios sobre os integrantes do Cimi, eu não afirmo que o Conselho todo que seja assim, mas talvez tenha alguém lá que pensa diferente e esteja manchando a Igreja Católica. Entendo que os arcebispos não podem ser penalizados por atitudes de alguns e temos fatos determinados sim”, enfatizou.

Kemp disse que participou de várias assembleias de povos indígenas em que, após vários debates, resolveram que tinham que entrar nas propriedades rurais e fazerem “demarcação de terras com as próprias mãos”. Também esteve em reuniões na Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) onde ouviu dos proprietários rurais que iam defender suas terras. O deputado justificou que o principal problema é a omissão do governo Federal em relação ao conflito que acontece em nosso Estado.

“A confirmação disso é a paralisação do processo de demarcações e também de negociações com os produtores rurais que aceitam deixar as terras, se forem indenizados. Precisamos cobrar das autoridades quem tem responsabilidade. É possível resolver a questão com instrumentos jurídicos, para que os produtores rurais, que são pessoas detentoras de boa fé tenham seu impasse resolvido e os índios possam ter seus territórios demarcados”, ressaltou.

Para o parlamentar João Grandão (PT), as mazelas enfrentadas atualmente no campo não podem ser atribuídas exclusivamente ao período em que o Governo Federal tem sido comandado pelo Partido dos Trabalhadores. Para o deputado, “nunca antes na história do País foram desenvolvidas políticas e ações de assistência técnica aos indígenas como as implantadas hoje pela União”. Ao defender o diálogo, o parlamentar também destacou a correlação desigual de forças entre os índios e produtores rurais armados. João Grandão se posicionou também contra a implantação da CPI do Cimi e a favor da formação do Comitê de Crise envolvendo representantes federais, estaduais e parlamentares.

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