Deputados destacam crise humanitária e pregam solidariedade

O drama vivido pelos refugiados que fogem dos conflitos e da fome em países do Oriente Médio, da África e do Haiti foi abordado pelos deputados durante a sessão plenária desta terça-feira (8/9). O líder do Governo, deputado Professor Rinaldo (PSDB), afirmou que “neste mundo materialista e globalizado, as imagens aterrorizantes são potencializadas pela mídia e merecem nossa reflexão”.

O parlamentar destacou o caso do garoto sírio Aylan Kurdi (3 anos), que se afogou ao tentar fazer a travessia por mar para a Turquia com a família. “Qual a culpa deste menino? Cabe a cada um de nós solicitar ao Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) que atue junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para enfrentarmos esta que é a maior atrocidade vivida pela humanidade neste pós-guerra”, analisou Rinaldo. O deputado José Carlos Barbosinha (PSB) parafraseou o poeta polonês ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Czeslaw Milosz e disse que “tanto o bem quanto o mal vem do homem” e lembrou que muitos refugiados fogem da miséria e da violência em países africanos, como Somália, Eritréia e Nigéria.

A deputada Antonieta Amorim (PMDB) destacou que o problema também atingiu o Brasil com a chegada de milhares de haitianos que fugiram após os terremotos que arrasaram o país cinco anos atrás. Tanto Barbosinha quanto Antonieta destacaram que nenhum cidadão deve ficar alheio à comovente situação dos refugiados. Já o deputado Amarildo Cruz (PT) lembrou que o Brasil é um país constituído por migrantes e que a maior parcela é formada por afro-brasileiros. Com relação ao refúgio de africanos em território europeu, Cruz disse que “os diamantes da África são bem vindos na Europa, mas os africanos não são bem vindos”. O parlamentar também elogiou a postura do Papa Francisco que, neste final de semana, pediu que a Igreja Católica na Europa tenha solidariedade e receba os refugiados.

Crise – Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), órgão ligado ao Ministério da Justiça, 2.077 sírios receberam asilo do governo brasileiro de 2011 até agosto deste ano. Trata-se da nacionalidade com mais refugiados reconhecidos no Brasil, à frente da angolana e da congolesa. O número é superior ao dos Estados Unidos (1.243) e ao de países no sul da Europa que recebem grandes quantidades de imigrantes ilegais ? não apenas sírios, mas também de todo o Oriente Médio e da África ? que atravessaram o Mediterrâneo em busca de refúgio, como Grécia (1.275), Espanha (1.335), Itália (1.005) e Portugal (15). Os dados da Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia, referem-se ao total de sírios que receberam asilo, e não aos que solicitaram refúgio.

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