Moradores madrugam para assistir sessão sobre comissão contra Olarte

Moradores de Campo Grande chegaram cedo à Câmara Municipal para acompanhar a sessão desta quinta-feira (13). É que os vereadores devem votar sobre a abertura de Comisssão Processante contra o prefeito Gilmar Olarte (PP).

Além da possibilidade da abertura de Comissão Processante, pode ser discutido também oafastamento do chefe do Executivo, que nessa quarta-feira (12) virou réu, junto com mais duas pessoas, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Olarte nega todas as acusações.

A segurança em frente ao prédio foi reforçada. Policiais militares e guardas municipais estão no local. O estacionamento da Casa foi fechado e nenhum veículo pode ser deixado no local. Uma via também teve o trânsito interditado.

População
A Guarda Municipal distribui senha para assistir à sessão no plenário. São cerca de 350. Para pegar a ‘autorização’ é preciso apresentar documento pessoal e informar o número de telefone. A professora da Rede Municipal de Ensino (Reme), Angelina de Souza, de 45 anos, chegou por volta das 6h (de MS) e pegou a senha 76. Por volta das 8h a fila já era grande.

Foram entregues senhas para entrar na câmara (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)Angelina chegou por volta das 6h e pegou a senha
76 (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

Angelina está em greve e fala que já esteve diversas vezes na Câmara e que esta, não será a última. “Eu acompanho as sessões normalmente e hoje é ainda mais importante vir”. Para ela, todos deveriam acompanhar o trabalho dos vereadores.

O designer instrucional Jurandir Rafael, de 42 anos, conta que também sempre acompanha as sessões. “Acho importante saber o que acontece. Não adianta ficar reclamando do país se você não sabe o que está acontecendo na sua cidade. Aqui é o primeiro passo”.

Rafael acrescenta. “As pessoas querem que as coisas mudem, mas elas não sabem nem o que está acontecendo”.

Processante
De acordo com a denúncia protocolada por Marcos Alex (PT), Thais Helena (PT) e Luiza Ribeiro (PPS) no último dia 19 de maio, foram elencados cinco motivos para abrir processante contra o prefeito.

Na época, Thais Helena disse que o prefeito respondia pelos crimes de corrupção passiva, estelionato e lavagem de dinheiro. O segundo motivo foi o não cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, pois Olarte não teria prestado as devidas contas. A terceira questão se refere ao uso de um avião monomotor por Olarte.

Para a instalação da comissão serão necessários 20 votos. A Câmara da capital tem 29 vereadores. A processante pode resultar em pedido de cassação do prefeito, em processo semelhante ao que resultou na saída de Alcides Bernal (PP), em 2014.

Afastamento
A Lei Orgânica da Câmara Municipal de Campo Grande determina que cabe à Casa determinar afastamento de prefeito, vice-prefeito e secretários que venham a ser processados pela Justiça.

Advogado do prefeito, Jail Azambuja informou que não há possibilidade do afastamento porque já existe jurisprudência sobre caso semelhante.

O procurador jurídico da Câmara Municipal, Fernando Pinéis, explicou que o caso ainda será estudado. “Vamos debruçar o Regimento Interno para melhor deliberar. É um artigo isolado e o fato é novo”, pontuou.

Câmara Campo Grande (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

 

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