Complexo Industrial vai investir R$ 750 milhões em Bela Vista

A instalação de um complexo minero-industrial de cimento Portland em Bela Vista, com investimentos da ordem de R$ 750 milhões, é talvez o maior investimento da história do Sudoeste sul-matogrossense e reforçará o projeto de fortalecimento econômico e social dos municípios desta região, apoiado através esforço empreendido pelo governo do Estado.

A nova fábrica de cimento deverá entrar em operação em até dois anos após o início de suas obras. Durante a construção, serão gerados cerca de dois mil empregos, com o máximo aproveitamento de mão de obra local. Na fase de operação, serão cerca de 200 empregos diretos e outros 600 indiretos. Para assegurar que as vagas sejam preenchidas por moradores do município, o empreendedor do projeto, a CPX Sul-Matogrossense, formalizará parceria com o SENAI para treinamento e qualificação. A empresa já discutiu as bases dessa parceria no ano passado quanto Antonio Fappi, diretor da CPX, esteve com o diretor-regional do SENAI, Jesner Escandolhero, e o diretor-técnico da entidade, Dax Goulart.

Além da geração de empregos e os conseqüentes reflexos no mercado local, a economia de Bela Vista também será fortalecida com a aquisição de insumos de produtores locais pela CPX. A previsão de investimentos médios mensais para aquisição de insumos é de R$ 1,75 milhão, sendo que pelo menos R$ 350 milhões serão direcionados ao mercado local.

Um investimento deste porte tem ainda uma forte capacidade de gerar demanda por serviços e produtos dos mais variados setores, como insumos para a construção, hospedagem, alimentação, saúde e transporte, entre outros. Depois de pronta, a fábrica será um polo de atração de fretes, viabilizando inclusive importantes fretes de retorno, contribuindo para com a maior competitividade logística regional, e elevando sobremaneira a demanda por serviços relacionados ao transporte, como oficinas, autopeças e postos de combustíveis.

O aumento do PIB do município de Bela Vista se dará tanto pelo incremento do mercado local, como pela geração de impostos. A CPX também deverá fazer investimentos de cerca de R$ 15 milhões em parceria com o poder público em obras de infraestrutura (habitação, transporte, energia, comunicação e saneamento, entre outros). Mas não é só a economia da região que a CPX beneficiará: o projeto também contribuirá com outras regiões do País, posto que uma parcela significativa de suas máquinas e equipamentos serão nacionais.

Estudos da CPX apontam cerca de 300 lojas de material de construção e pequenas indústrias na região centro-oeste, mais próximas à fábrica, e milhares de clientes nas regiões fronteiriças de São Paulo, Paraná e Paraguai, que devem se beneficiar diretamente de um melhor atendimento no cimento, trazendo desta forma ganhos para toda a cadeia da construção até o cliente final.

O projeto da CPX será também um marco na história da mineração e cimento do Mato Grosso do Sul: será uma das mais modernas e eficientes fábricas de cimento Portland no Brasil, seguindo os mais rígidos padrões ambientais do mundo. lembrar que há mais de 20 anos que o Estado não tem uma nova fábrica de cimento instalada. Atualmente Mato Grosso do Sul tem duas unidades produtoras de cimento, uma de 1993 e outra de 1955.

O cuidado com o meio ambiente começou na própria concepção da planta: a unidade produtora fará uso de apenas cerca de 80 mil metros quadrados, em uma área de pastagem com pouca vegetação, reduzindo impacto ambiental, conservando a maior parte do terreno e contribuindo para preservar a fauna e flora da região. A planta do empreendimento também foi projetada para manter distância das drenagens e cursos de água, independente de seu porte.

A mínima ocupação de espaço é possível porque, ao contrário do modelo usado pelas antigas fábricas de cimento, a CPX optou por instalar a unidade produtora na proximidade da mina. Esse novo modelo de produção de cimento, inédito no Brasil, também reduzirá a distância a ser percorrida pelos caminhões que transportam a matéria-prima para a fábrica, com impactos positivos sobre as emissões e o trânsito.

A nova fábrica contará com equipamentos altamente eficientes, exigindo menos combustível e um menor consumo de energia elétrica, utilizando-se de filtros e transporte coberto e protegido em todas as fases da produção, algumas das quais incluem a umidificação do material para reduzir sua dispersão. O processo produtivo, do começo ao fim, até as etapas de ensacamento, paletização e carregamento a granel funcionarão em circuito fechado e despoeirado. Os filtros da chaminé do forno, por sua vez, monitorarão o ar de forma contínua, de modo a informar, em tempo real, os níveis de emissões. O estudo de modelagem de dispersão de poluentes indicou que as concentrações estimadas para a área serão muito inferiores aos limites estabelecidos pelo CONAMA, sendo totalmente seguros. A água para uso industrial seguirá em circuito fechado, ou seja, será reutilizada no próprio processo produtivo, e a que for usada em cozinhas e banheiros será destinada à estação de tratamento própria para este fim.

A CPX Sul Matogrossense atenderá o mercado dentro de um raio de até 700 km da fábrica, beneficiando o setor da construção civil de todo o centro-oeste, oeste de São Paulo e Paraná, e exportará para o Paraguai, contribuindo com o desenvolvimento do setor industrial e de mineração no estado do Mato Grosso do Sul.

As obras da CPX poderão ter início já no começo de 2016, pois os estudos ambientais já foram concluídos e o Secretário de Meio Ambiente, Jaime Verruck, já indicou que esperava ter o licenciamento concluído entre agosto e setembro deste ano.

O Grupo CPX tem outras duas unidades industriais idênticas já em processo de licenciamento, a primeira em Formosa (GO) e a segunda em Lajedinho (BA), conduzidas por empresas do grupo, instaladas em cada Estado para este propósito específico. Apesar do licenciamento desta unidade industrial do grupo em Bela Vista (MS) ter se iniciado depois do licenciamento das outras duas, a se cumprirem as expectativas do Secretário e dependendo do empenho do Governo, o Mato Grosso do Sul tem a chance de passar à frente dos outros Estados e ter a primeira fábrica de cimento do Grupo CPX.

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