Câmara cassa prefeito de Guia Lopes da Laguna e defesa vai anular sessão

A Câmara Municipal de Guia Lopes da Laguna, em sessão de julgamento da Comissão Processante contra o prefeito Jácomo Dagostin (PMDB), que aconteceu nesta quarta-feira, decidiu cassar o mandato do chefe do Executivo municipal. Ele é acusado de ser conivente no esquema de corrupção envolvendo o ex-secretário de Assistência Social, Administração e de Saúde do município, padre Edivaldo Soares Pereira, acusado de fraudar licitações e desviar R$ 500 mil.

O ex-secretário foi indiciado pela Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado), em fevereiro de 2014, por lavagem de dinheiro, fraude à licitação, peculato e posse ilegal de munição de uso permitido. As investigações da Polícia Civil duraram oito meses até os crimes serem comprovados. Ele também foi preso por dirigir embriagado e portar arma de fogo sem autorização e responde a dois processos na Justiça do Estado.

Na época o prefeito saiu em defesa de seu ex-secretário declarando que tudo estava nas mãos da Justiça, que estaria analisando o caso. “Ele trabalha há cinco anos na prefeitura, foi padre e tem a reserva dele de R$ 60 mil a R$ 70 mil. Ele é uma pessoa que ganha R$ 4,5 mil por mês e tem um caminhão, uma moto velha, um terreno e duas casas. Não sei onde tem enriquecimento ilícito”, comentou Jácomo Dagostin, na ocasião.

Dos noves vereadores da Câmara de Guia Lopes, estavam presentes na sessão apenas seis. A relatora do processo, vereadora Cleonete Martins Moreno (DEM) foi favorável à cassação e foi seguida pelos seis vereadores presentes na Casa, incluindo o vereador Rodrigo Arruda (PMDB). Os vereadores Ademar Barros (PMDB), Ronaldo Brunet Pereira (PDT) e Valério Antunes Arguelho (PT) não participaram da sessão. Também faltaram o prefeito e seu defensor.

Procurado pela reportagem, o prefeito Jácomo Dagostin disse que não iria à sessão e que apenas o seu advogado falaria sobre o assunto.

Ouvido, o advogado de defesa do prefeito, Valeriano Fontoura, disse que não foi citado e que a sessão da Câmara, independente do resultado, deverá ser anulada, pois o prefeito não pode fazer sua defesa. “Não fui citado e hoje pela manhã fiquei sabendo que haveria sessão às 8 horas. O prefeito não precisa estar presente, mas tem o direito a ampla defesa. É princípio constitucional”, lembrou o advogado.

Fonte: Campo Grande News

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