Área livre de Aftosa sem vacinação pode abrir mercados para o Estado

A deputada estadual Mara Caseiro (PTdoB), 3ª vice-presidente da Casa de Leis, defendeu nesta quarta-feira (3/6) que Mato Grosso do Sul se torne área livre da Febre Aftosa sem vacinação, como já ocorre em Santa Catarina. A certificação, de acordo com a parlamentar, abriria novos mercados internacionais para o Estado.

Mara esteve esta semana na Assembleia Legislativa do Paraná, a convite de produtores rurais e do deputado Fernando Scanavaca (PDT-PR), na segunda audiência pública sobre o tema.

O governo de Santa Catarina adotou há 15 anos a estratégia de levantar barreiras sanitárias para conquistar o reconhecimento internacional como área totalmente livre da doença, sem imunização dos animais, e abrir novos mercados. Entretanto, a certificação só ocorreu em maio de 2007, quando a OIE (Organização Internacional de Saúde Animal) credenciou o Estado como única zona brasileira livre da aftosa, sem vacinar o rebanho.

O segundo estado a levantar essa bandeira é o Paraná, mas Mara Caseiro acha oportuno também levantar esse debate em Mato Grosso do Sul, um dos principais produtores de carne do País.

“Se Mato Grosso do Sul também buscar essa certificação, pode conquistar mercados internacionais importantes, como por exemplo, Japão, Estados Unidos e Canadá. Não podemos perder essa oportunidade de avançar dentro do sistema do agronegócio, que é o nosso ponto forte”, defendeu Mara Caseiro.

De acordo com a deputada, diferentemente do processo que ocorreu em Santa Catarina, o Paraná encontra resistência na própria cadeia produtiva de carne para suspensão da vacinação.

Isso porque existe uma relação quase umbilical na produção de gado entre os dois estados. Alguns produtores criam o gado aqui e depois engordam no Paraná. Por esse motivo, o estado vizinho pressiona Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul a comprar a ideia da suspensão da vacinação para buscar o reconhecimento na OIE em bloco.

Gaúchos e sul-mato-grossenses possuem campos em fronteiras com países vizinhos como o Uruguai, Argentina, Bolívia e Paraguai. Parte dos rebanhos boliviano e argentino também é considerada livre da doença, sem a obrigatoriedade da vacinação.

Mara Caseiro deve conversar sobre o assunto, nos próximos dias, com a direção da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) e da Secretaria de Produção do Estado. A ideia é trazer esse debate para a Assembleia Legislativa, envolvendo todos os lados interessados, sobretudo os produtores rurais.

Segundo o deputado Anibelli Neto (PMDB), que comandou a audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná, só as cooperativas planejam desengavetar investimentos da ordem de R$ 1,35 bilhão, sendo R$ 700 milhões em frigoríficos de abate de suínos; R$ 500 milhões em frigoríficos de abate de aves e R$ 150 milhões na área de bovinos de corte e leite, caso o estado receba a nova certificação.

Mara Caseiro espera que investimentos semelhantes também ocorram em Mato Grosso do Sul, caso aprove o projeto de se tornar área livre da Aftosa sem vacinação do rebanho. Ainda conforme a deputada, a produção de suínos também pode ser amplamente beneficiada com essa certificação.

“Países como Japão, Estados Unidos, China, Coreia do Sul, México e Indonésia estão entre os mercados que pagam bem pela carne suína, desde que sejam de áreas livres de febre aftosa sem vacinação. Mercados como esses chegam a pagar US$ 6 mil a tonelada de carne suína, benefício que queremos trazer para Mato Grosso do Sul”, finalizou.

Participação – A audiência pública aconteceu no plenarinho da Assembleia do Paraná. Mara Caseiro também participou de sessão ordinária na Casa, onde foi recebida pelo deputado Anibelli Neto, pelo presidente do Legislativo, Ademar Traiano (PSDB), e pelo progressista José Carlos Schiavinato.

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