Simone Tebet preside audiência com ministro e lamenta estagnação do ensino médio

A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) ressaltou a alta taxa de evasão escolar do ensino médio ao questionar o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Mangabeira Unger, que participou de audiência pública na Comissão de Educação nesta terça-feira (26) para expor as metas do programa “Pátria Educadora”. A senadora sul-mato-grossense presidiu a reunião.

Simone destacou que no Brasil, menos de 40% dos jovens entre 18 e 24 anos terminam o Ensino Médio. “Há uma quantidade absurda de disciplinas que não são atrativas e estão desconectadas da realidade. Nosso conteúdo preza mais pela quantidade que pela qualidade”, constatou dizendo que o Brasil avançou no ensino fundamental com a universalização, mas que ficou estagnado no ensino médio.

O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República disse que já existe o consenso de que há de haver um enxugamento no currículo. “Não creio que a substituição da enciclopédia grande pela pequena seja a solução. Creio na educação analítica”, disse Mangabeira Unger.

Em relação à formação de turmas diferenciadas proposta no “Pátria Educadora”, Simone sugeriu que, ao invés de separá-las por grau de aprendizagem dos alunos, fossem criadas turmas com conteúdos mais votados para as exatas, humanas ou biológicas, numa espécie de preparação para o ensino universitário ou profissionalizante.

Cidadania – A senadora ainda questionou sobre a viabilidade de inserção de conteúdos de cidadania, com conceitos de ética, direitos humanos e meio ambiente nas disciplinas básicas como português e história. “Não quero instituir a volta da disciplina educação, moral e cívica. O que eu digo é na transversalidade da disciplina no ensino de análise sintática, por exemplo, quando as frases usadas podem trazer um conteúdo de cidadania”, explicou.

Simone ainda citou o corte de R$ 9 bilhões no orçamento da Educação e a necessidade de repensar o Fundeb para garantir maior financiamento.

Piso do magistério

Por fim, ela ainda reforçou a necessidade de valorização do magistério, com remuneração digna dos professores. “O piso inicial é vergonhoso, quem faz um curso no Pronatec ganha mais que o professor em início de carreira. Diante da situação, vemos cada vez mais pessoas com vocação desistindo do curso de pedagogia porque o salário é baixo”, lamentou.

O ministro Mangabeira Unger respondeu que o aumento no salário é importante no conjunto. “O foco deve estar na organização da carreira dos professores como um instrumento de transformação. E aí o salário digno é um elemento imprescindível”, disse.

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