Câmara derrota governo e aprova PEC da Bengala

Em votação encerrada há pouco, deputados impuseram mais uma derrota ao governo e rejeitaram em plenário três destaques supressivos (excluem trechos de texto) apresentados à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 457/2005, que aumenta de 70 para 75 anos a idade de aposentadoria compulsória para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal de Contas da União (TCU) e dos demais tribunais superiores. Conhecida como PEC da Bengala, a matéria havia sido aprovada em primeiro turno em 4 de março e, como não foi alterada, segue para promulgação.

A nova derrota governista foi articulada em almoço que reuniu nove partidos da base governista e líderes da oposição na residência oficial do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em Brasília. O texto-base foi aprovado por 333 votos a favor, 144 contra e 10 abstenções, sem modificações em relação ao que foi aprovado pelo Senado em agosto de 2005 (nesta Casa, PEC 42/2003). De autoria do ex-senador Pedro Simon (PMDB-RS), a matéria será agora promulgada pelas Mesas Diretoras do Senado e da Câmara, em data ainda a ser marcada. Tão logo isso ocorra, o texto passa a integrar a Constituição de 1988.

Um dos destaques rejeitados, de autoria do PT, pretendia submeter a entrada em vigência da nova idade para aposentadoria a uma lei complementar devidamente discutida e aprovada pelo Congresso. Além disso, o texto supressivo queria estender os efeitos da PEC da Bengala a todos os servidores da administração pública.

Aprovada a PEC da Bengala, a presidente Dilma Rousseff não poderá substituir ao menos cinco ministros do STF que completarão 70 anos até 2018, seu último ano de mandato. Assim, os magistrados continuam na Corte por mais cinco anos – a não ser que, a exemplo do que recentemente fez Joaquim Barbosa, relator do mensalão, decidam se aposentar antes disso.

Se a PEC não tivesse sido aprovada, teriam de se aposentar até 2018 o decano Celso de Mello, Ricardo Lewandowski (atual presidente da corte), Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Teori Zavascki. Dilma já escolheu o jurista Luiz Edson Fachin para a vaga de Barbosa, mas o Senado, que tem a incumbência de apreciar a indicação, tem atrasado essa sabatina.

Desde sua posse, em 2011, Dilma já indicou cinco nomes para compor o seleto grupo de 11 ministros do STF. Seus antecessores, o petista Lula e o tucano Fernando Henrique Cardoso, indicaram oito e três magistrados, respectivamente, no transcorrer dos respectivos oito anos de mandato presidencial.

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