Vizinho do CDP de Pedrinhas revela desejo de deixar a casa: ‘Assustado’

Após o ataque que deu fuga a quatro presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, o aposentado Clodomir dos Santos revelou ao G1 que tem vontade de abandonar a própria casa. Vizinho da unidade prisional, ele disse que já morava no local antes do complexo ser inaugurado e que só ainda não saiu do bairro porque não tem condições financeiras.

“Se eu tivesse condição, já não tava hoje aqui. Já tinha ido embora, deixava tudo aí, mas eu não tenho condição. Se eu sair, eu vou pro meio do tempo, do inverno. Minha mulher tá se tremendo aí o tempo todinho”, revela.

O aposentado conta que, na madrugada do último domingo, quando aconteceu o ataque ao presídio, ele e a esposa acordaram assustados pelo tiroteio entre criminosos e policiais.

Janela da casa de Clodomir tem vista para guarita do CDP (Foto: Miguel Nery / TV Mirante)Janela da casa de Clodomir tem vista para guarita
do CDP (Foto: Miguel Nery / TV Mirante)

“Era quatro horas da manhã quando nós acordamos aqui. Nós caímos da cama, deitamos no chão. Com o tanto de tiro daqueles, quem é que não fica assustado? Assustado morrer das balas e assustado morrer porque tem que cair no chão por causa das balas. Saiu pra muito mais de trezentos tiros”, contou.

Clodomir diz que o bairro era tranquilo antes da instalação do complexo penitenciário. Segundo ele, na época, as “autoridades” teriam visitado os moradores e prometido que eles ficariam seguros no local. O presídio foi instalado há 50 anos, durante o governo de Newton Belo.

“Fizemos essas casinhas pra morar. Quando essa cadeia chegou, nós já morávamos aqui há dez anos. Garantiram mundos e fundos pra nós, que aqui nós íamos ser muito bem seguros. Nós vivíamos bem sossegados aqui. A gente dormia até de porta aberta. Agora, nós não podemos dormir nem de porta fechada porque quando não é o ladrão, é essas coisas que acontecem”, disse, referindo-se ao tiroteio do último domingo.

Ele afirmou que os moradores nunca foram contrários à instalação do presídio nem à presença dos presos. “Eu não sou contra os presos porque todo mundo erra. E se ele tá preso, ele tá pagando a missão dele, nós não temos nada que ver contra eles. Agora, o que eu peço para as autoridades grandes é que se eles puderem, deem um jeito de ajudar nós. Nós temos uma casinha dessa. Faz a casa, fica num sufoco desse, como é que nós vamos fazer?”, lamenta.

Marca mostra que tiro atingiu parede próxima à janela de uma casa (Foto: Miguel Nery / TV Mirante)Marca mostra que tiro atingiu parede próxima à
janela de uma casa (Foto: Miguel Nery / TV Mirante)

O mecânico Antônio da Cruz, que também mora no bairro, mostrou que alguns tiros atingiram as paredes das casas próximas ao presídio. “Tem quatro pessoas morando aqui, tem criança que tavam dormindo na hora. O tiro foi perto da janela. Se não fosse essa parede aí tinha atingido lá dentro”, calcula.

Fuga
Nessa segunda-feira (6), o G1 mostrou que o local utilizado para a fuga está sem cerca elétrica há sete meses, desde que seis presos escaparam depois que um grupo criminoso bateu no muro com uma caçamba e abriu um buraco para resgatar os detentos. A estrutura foi reconstruída no dia seguinte, mas a cerca nunca foi recolocada.

Na madrugada do último domingo (5), oito homens armados com fuzis divididos em três carros estacionaram próximo aos muros do CDP de Pedrinhas e atiraram contra as guaritas de segurança. Alguns homens foram até a parede dos fundos com uma escada e usaram uma corda, por onde conseguiram escapar quatro suspeitos, que já haviam serrado as grades de uma cela e aguardavam no pátio interno. Houve troca de tiros com homens do Batalhão de Choque.

Um relatório do Comendo de Policiamento Especializado (CPE) divulgado com exclusividade peloG1 mostra que, mesmo com informações sobre o plano de ataque ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas, a polícia não conseguiu evitar a fuga dos detentos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o sucesso da ação criminosa foi resultado de falhas na intervenção policial.

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