Tumulto marca desocupação de prédio no Flamengo, no Rio

O Edifício Hilton Santos, no Flamengo, na Zona Sul do Rio, foi desocupado nesta terça-feira (14), por volta das 10h. Os invasores aceitaram a proposta de deixar o prédio e começavam a sair espontaneamente, quando a polícia constatou que foram incendiados colchões no interior do imóvel. Em seguida, teve início tumulto e correria. Três pessoas — dois envolvidos no tumulto com a polícia e um policial denunciado por usar spray de pimenta perto de uma criança — foram detidas e encaminhadas para a delegacia.

Confusão marca reintegração de posse de imóvel invadido no Flamengo (Foto: Matheus Rodrigues/G1)
Confusão marca reintegração de posse de imóvel
invadido  (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Bombeiros entraram no imóvel para apagar as chamas, com o apoio de homens do Batalhão de Choque. Às 10h20, havia muita fumaça do lado de fora e correria do lado de fora. Logo em seguida, uma mulher e um homem, que, de acordo com a polícia, atirou pedras na direção de agentes, foram detidos. Às 10h33, segundo informações da Globonews, não havia mais ocupantes do edifício. Ainda era a grande a concentração de pessoas na frente do edifício, porém. Os detidos foram encaminhados para a 10ª DP (Botafogo).

Onze pessoas ficaram feridas e foram atendidas sem gravidade pelos bombeiros após a desocupação. Quatro delas foram encaminhadas ao Hospital Municipal Miguel Couto e sete foram encaminhadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar.

Homem acusa policiais de usarem spray de pimenta perto de criança (Foto: Matheus Rodrigues/G1)
Homem acusa PMs de usarem spray de pimenta
perto de criança (Foto: Matheus Rodrigues/G1)

Além disso, um homem que levava um bebê no colo quando saía do prédio, acusa policiais militares de usarem spray de pimenta perto do menino. “Eles esfregaram [o spray]na minha cara e na face do meu filho. Ele foi reconhecido e eu quero saber o que eu posso fazer. A única coisa que eu sei é que meu filho está entre a vida e a morte porque foi forçado, não foi um parto natural. Eu sou trabalhador e honro o que eu faço. Meu nome é Carlos Alessandro”, afirmou. O policial envolvido no caso também foi para  a 10ª DP para que a denúncia fosse apurada.

A Prefeitura do Rio informou que disponibilizou 130 vagas para os invasores num abrigo em Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade. Os ocupantes do prédio, entretanto, rejeitaram a oferta e por volta das 11h40 planejavam protestar em frente à Prefeitura. A Justiça determinou a reintegração do imóvel, que já foi sede do Clube de Regatas do Flamengo, foi arrendado pelo Grupo EBX, de Eike Batista. Beirando o abandono, o local foi ocupado há uma semana.

Durante a madrugada desta terça, cinco viaturas da Polícia Militar acompanharam a movimentação no local. Quem saia do prédio é impedido de retornar. Segundo moradores, uma mulher deu à luz nesta madrugada dentro do prédio. Segundo os ocupantes, Fernanda da Silva Pessoa estava grávida de seis meses e teve o bebê dentro do prédio ocupado. Ela foi levada para o Hospital Miguel Couto e de acordo com o pai do bebê, apesar de ter nascido prematura, a criança passa bem.

A moradora Celia Regina Cesário,  de 58 anos, afirmou que vai voltar para a rua e espera receber auxílio das autoridades. “Vamos voltar para a rua de novo. Para que casa que a gente vai? Isso aqui é do Flamengo, eles não tem que me dar nada. Quem tem que me dar são os governantes. Eu votei neles, então eles tem que olhar por nós. Votei no Paes, Pezao e Dilma”, disse.

A Defensoria Pública tenta intervir na ação. Nesta madrugada, os defensores tentaram entrar com uma medida cautelar no plantão noturno para tentar suspender a decisão do juiz da 36ª Vara Cível, que determinou a reintegração de posse do edifício.

“A Defensoria entende que é uma situação muito grave, com três bebês, 15, 20 crianças no imóvel”, afirmou o defensor público Rodrigo Pacheco. Nesta manhã, eles vão entrar com um pedido de agravo de instrumento para tentar suspender a reintegração. Segundo a Defensoria Pública, cerca de 300 pessoas ocupam o imóvel.

A reintegração foi determinada na quinta-feira (9) após pedido de liminar feito pelo Clube de Regatas Flamengo, ex-dono do prédio, e da empresa Rex Hotel I, ligada ao grupo EBX, do empresário Eike Batista.

“O problema é nitidamente social, mas não se pode preterir o direito de propriedade em função de uma coletividade que deveria estar assistida pelo Estado, exercendo sua cidadania com dignidade, razão pela qual positivado o esbulho, acolho o pedido liminar. Isto posto, defiro a medida e determino a expedição de mandado de reintegração de posse, a ser cumprido com urgência, pelo Sr. Oficial de Justiça, com auxílio de força policial, e da guarda municipal, se necessário for”, afirmou a juíza Martha Elizabeth Falcão Sobreira.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria, João Helvécio, no prédio estão cerca de 260 pessoas, entre elas, 80 crianças. Na semana passada, a informação era de que o prédio tinha sido ocupado por cerca de 100 pessoas.

Prédio no Flamengo será desocupado nesta terça-feira (14) (Foto: Gabriel Barreira/G1)Prédio no Flamengo será desocupado nesta terça-feira (14) (Foto: Gabriel Barreira/G1)

O grupo que ocupou o local já foi retirado de um outro prédio, na Via Binário e que pertencia a Cedae, continua reivindicando moradia. No prédio, os invasores exibem cartazes pedindo “socorro” ao prefeito Eduardo Paes e clamam por habitação para os filhos dos invasores.  A reportagem doG1 esteve no prédio e constatou que simpatizantes faziam entrega de donativos ao grupo.

Após a invasão, a Associação de Condomínios do Morro da Viúva (Amov), divulgou uma nota informando que a invasão não foi uma surpresa. Segundo eles, desde o segundo semestre do ano passado a entidade vem alertando as autoridades sobre o abandono e total degradação do edifício, mas muito pouco foi feito. A associação também disse que a PM foi avisada e que chegou a organizar uma vistoria no prédio onde foi constatado o abandono.

Para a ação de reintegração de posse, segundo o Centro de Operações Rio, a Avenida Ruy Barbosa foi interditada na altura da Enseada de Botafogo. De acordo com o Centro de Operações da Prefeitura, o desvio de trânsito era feito pelo Aterro do Flamengo. Por volta das 11h30 havia retenções na Praia de Botafogo, Rua Senador Vergueiro, Avenida Oswaldo Cruz e na Rua Pinheiro Machado.
FONTE G1

 

 

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