Famílias alegam dificuldades financeiras, invadem casas e são notificadas

Fiscais da Emha (Agência Municipal de Habitação) notificaram invasores de residências do Conjunto Habitacional José Maksoud, no bairro Moreninha IV, em Campo Grande. Alguns moradores disseram que haviam sido notificados na quinta-feira (09), outros disseram que só receberam as notificações ontem (10), e mesmo com prazo de 24 horas para sair do local, os moradores alegam que não vão deixar as casas.

De acordo com os fiscais, os imóveis invadidos já possuem beneficiários selecionados pela equipe técnica social da Emha. Mas, a chave ainda não foi entregue por conta de pendências com documentação junto à Caixa Econômica Federal, que impedem o andamento do processo que passa pelo sorteio da localização de quadra/lote, assinatura de contratos e posterior recebimento das chaves.

Alegando dificuldades financeiras que o impedem de pagar aluguel, Cláudio Everton Resine, 20 anos está ocupando uma casa no residencial. No local moram ele a mãe Leonice Felizardo Resine, 38 anos, a esposa Eliliane do Prado Rosa, 20 anos, a filha do casal de 4 meses e outras duas crianças de 9 e 10 anos.

Claudio disse que está na casa há duas semanas, eles decidiram invadir o local após ficarem devendo três meses de aluguel e não terem condições de pagar. “Em casa estamos todos desempregados, vimos que a casa estava vazia e decidimos invadir”, alega o morador que afirmou que foi um dos primeiros a começar a invasão no residencial.

Ele informou ainda que as casas são concorridas e não podem ficar sozinhas. “Só nesta casa que eu estou quatro família já tentaram invadir, se eu deixar sozinha, quando eu voltar minhas coisas vão estar tudo fora de casa”, acrescentou.

A mãe de Claudio, Leonice, que também mora na casa confirmou que os fiscais da Emha notificaram com ordem de despejo as famílias. “Eles deram um prazo de 24 horas para que saíssemos, mas se eles tirarem a gente daqui, vamos ficar do lado de fora com nossas coisas”, disse ela alegando que não tem para onde ir com a família.

A família sobrevive apenas com bicos, e como não tem energia elétrica, eles estão se alimentando a base de pão com mortadela. “Não temos ligação de água e nem de luz, não tem como refrigerar comida. Temos uma reserva de água que deve durar apenas um dia”, lamentou Leonice.

Eliliane, esposa de Claudio, alega que só está na casa porque precisa. “Já tem mais de dois meses que os donos daqui não aparecem, se eles realmente precisassem da casa já teriam aparecido”.

Por falta de energia elétrica, a família está se alimentando apenas com pão e mortadela. (Foto: Marcelo Calazans)

Outra família que passa pela mesma situação é a de Sandra Moraes, 40 anos, ela é passadeira e está na casa invadida desde domingo na rua Armando Nogueira, 516. Ela invadiu uma casa junto com o marido Silvano Messias, 35 anos, motorista, e dois filhos, de 14 e 16 anos.

“Morávamos de aluguel que custava R$ 600, como fazia dois meses que não conseguíamos pagar, vimos a casa vazia e resolvemos invadir”, disse. Ao contrário da família anterior, Sandra conseguiu ligar clandestinamente água e luz.

“Os funcionários da Emha vieram aqui na quinta-feira e me notificaram, mas eu vou aguardar uma notificação da Caixa (Econômica Federal), só saio daqui se for para montar um barraco do outro lado da rua. Se me dessem uma casa eu não teria problemas em pagar a prestação desde que fosse um preço justo”.

Inusitado – Após uma confusão que envolveu Dayane de Lima, de 25 anos, e Rosângela de Queiroz, 41 anos, nessa sexta-feira (10), onde as duas invadiram a mesma casa e foram parar na delegacia para tentar resolver a situação, elas viraram amigas e resolveram morar juntas na casa. Rosangela ocupou a casa primeiro, e ao ir buscar sua mudança, ela se deparou com Dayane que havia invadido a casa. Dayane tem três filhos de 10, 03 e 1 ano e oito meses.

A família da Rosangela é composta pelo filho Vanderson Queiroz, 20 anos, a esposa dele Raíssa Caroline Vieira, 20 anos, e a filha do casal, uma menia de 2 anos. Rosangela, a primeira moradora, alega que pegou a casa para cuidar.

A casa já havia sido invadida por usuários de drogas, agora eu só estou cuidando, fazendo reparos e mantendo limpa. Eu estou indignada com a prefeitura e com o governo, pois se eles dessem casa para quem precisa, não chegaria a essa situação”, afirmou.

Dayane que foi despejada em 2011 por falta de pagamento do aluguel da casa onde morava assume que invadiu o local. “Eu sei que fiz errado, mas fiz porque eu preciso”, desabafou.

Dayane e Rosangela viraram amigas, depois de invadirem a mesma casa, e agora moram juntas. (Foto: Marcelo Calazans)Dayane e Rosangela viraram amigas, depois de invadirem a mesma casa, e agora moram juntas. (Foto: Marcelo Calazans)

Sandra Moraes, disse que só sai da casa se for para morar em um barraco. (Foto: Marcelo Calazans)Sandra Moraes, disse que só sai da casa se for para morar em um barraco. (Foto: Marcelo Calazans)

Segundo a Emha, uma vez notificados, os inva

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