Daniel Coelho contesta declaração de Dilma de que Petrobras superou problemas de gestão

O deputado Daniel Coelho (PE) afirmou nesta segunda-feira (27) que a divulgação do balanço auditado da Petrobras não significa uma página virada para a empresa. A observação foi feita pelo tucano vai de encontro à opinião da presidente Dilma. Para ela, além de virar uma página, a companhia já superou os problemas de gestão motivados pela revelação de casos de corrupção. A declaração da petista é precipitada, pois estão em andamento tanto a CPI da Petrobras na Câmara quanto a Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Para o tucano, a afirmação da presidente da República não expressa o sentimento dos brasileiros. Segundo ele, o histórico e vergonhoso prejuízo de R$ 21 bilhões no ano passado, sendo mais de R$ 6 bilhões por perdas com corrupção, não pode ser apagado assim tão facilmente. Ao dizer que a divulgação do balanço significa superação, a petista tenta, segundo ele, minimizar algo que tem uma enorme proporção e afeta a vida de todos os brasileiros.

“De forma alguma. Até porque, além do prejuízo por causa da corrupção, há o prejuízo por causa da má gestão. Por mais que a corrupção esteja sendo investigada, não vemos nenhuma mudança quanto à incompetência de quem está à frente da empresa”, critica o tucano.

Como destacou a colunista de “O Globo” Miriam Leitão, Dilma e Lula comandaram um processo de privatização da Petrobras para um partido político, o que afundou a empresa. “Tudo vem desse erro primordial. O que era público foi privatizado para um partido, que inchou seu quadro com indicações políticas. Ela foi administrada como se fosse o quintal do Palácio do Planalto. A gestão petista em três mandatos tomou decisões insensatas, e a palavra final ficou sempre com os presidentes Lula e Dilma”, afirma a jornalista.

Cadê o pedido de desculpas – Além de a declaração de Dilma ter sido precoce diante do tamanho do escândalo, a petista até agora sequer assumiu sua responsabilidade ou pediu desculpas aos brasileiros pela desastrosa gestão da maior estatal do país. Além de presidente da República, ela foi ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil no governo Lula e presidente do conselho de Administração da Petrobras.

“Não há sinalização de profissionalismo na gestão da Petrobras. O balanço confirma uma situação que vinha sendo alertada pelo PSDB e pela oposição. Fica a necessidade de ter uma gestão na empresa que seja capaz de impedir que tudo isso se repita”, alerta Coelho.

Os números, na avaliação do tucano, são lamentáveis e só vieram à tona porque já não dava mais para maquiar ou esconder algo que já havia se tornado público. O prejuízo de R$ 21,5 bilhões é o maior registrado entre as empresas de capital aberto desde 1985.

Além da má administração que já estava levando a empresa à bancarrota, após a revelação de que a empresa havia se tornado alvo de um esquema de corrupção que cobrava propina de fornecedores, a Petrobras perdeu valor de mercado e assistiu a fundos de investimentos dos Estados Unidos e da Europa ingressarem na Justiça para reivindicar indenizações em razão de supostos prejuízos causados aos investidores da companhia.

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