CPI da Petrobras atende pedido do PSDB para ouvir delator de propina milionária no caso SBM-Petrobras

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, anunciou que a oposição irá a Londres ouvir o ex-diretor da empresa SBM Offshore que acusa a Controladoria-Geral da União (CGU) de ter abafado uma denúncia de pagamento de US$ 139 milhões em propinas por meio de contratos da Petrobras para favorecer a candidatura da presidente Dilma Rousseff. A CPI da Petrobras aprovou nesta terça-feira (14) requerimento do deputado Antonio Imbassahy (BA) para que o ex-diretor Jonathan David Taylor preste depoimento ao colegiado. Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, o executivo disse que, durante a campanha eleitoral de 2014, o governo Dilma recebeu provas de que a empresa holandesa pagou propina para fazer negócios com a Petrobras, mas só abriu processo contra a empresa em novembro, após a reeleição da presidente. O tucano considera a denúncia gravíssima.

“Esse fato que tomamos conhecimento sugere que a CGU omitiu uma informação gravíssima. Isso precisa ser investigado e, se comprovado, pode sim levar a um processo de impedimento da presidente”, alertou.

De acordo com a reportagem, as provas foram encaminhadas entre agosto e outubro de 2014 para a Controladoria-Geral da União, que só anunciou a abertura de processo contra a SBM em 12 de novembro, 17 dias após o segundo turno da eleição. O montante da propina teria chegado a US$ 139 milhões, entregues ao lobista Julio Faerman para que conseguisse contratos com a petroleira.

O jornal afirma que Taylor prestou depoimento e entregou mil páginas de documentos internos da empresa ao órgão de fiscalização do governo brasileiro. O material teria sido recebido por Hamilton Cruz, diretor de Acordos e Cooperação Internacional do órgão. Segundo ele, a CGU teria escondido a denúncia de suborno para beneficiar o PT e a campanha de Dilma à reeleição.

“Houve uma manobra junto à CGU para que ela não fizesse as investigações e sequer dissesse à população brasileira que havia essa documentação. É muito estranho, pois o órgão existe exatamente para combater a corrupção”, avalia Imbassahy. Para ele, é evidente que o assunto chegou ao Palácio do Planalto.

“O então ministro Jorge Hage tinha ligação direta com a presidente. Impossível que isso tenha sido negligenciado se não para evitar que o assunto viesse à tona no período eleitoral, podendo mudar o resultado das eleições”, apontou o deputado, ao defender a convocação do ex-ministro e dos técnicos da CGU que estiveram com o ex-diretor da SBM e receberam os documentos.

O parlamentar destaca que, se ficar comprovado que o principal órgão de controle do governo federal se calou por razões políticas, nenhum argumento poderá impedir um pedido de impeachment.

A alegação de que o crime, caso confirmado, não ocorreu no atual mandato não será suficiente. “Essa alegação é como dizer que ela podia roubar até 31 de dezembro do ano passado e depois disso ser uma grande presidente. Não é isso que diz a Constituição. Esse é o argumento de quem não tem mais como se defender”, concluiu.

Para Aécio Neves, a CGU prevaricou, pois recebeu as informações que justificaram a abertura de processo investigativo e nada fez no tempo oportuno. “Jamais assistimos na história do Brasil ao uso tão irresponsável e sem limites do Estado para um projeto político e de poder. As respostas estão sendo dadas nas ruas em todo o país”, declarou.

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