Sistema Nacional de Esporte e palestra sobre o panorama norte-americano marcam debate

Ainda aproveitando as comemorações para o Dia Internacional da Mulher, houve uma reunião na tarde desta segunda-feira (09.03) sobre o papel das esportistas no mundo e principalmente no Brasil. Simultaneamente, ocorreu a Abertura da Reunião sobre o Programa Global “Esporte e Mulher” – Comemoração ao Dia Internacional da Mulher e XV Reunião Nacional da Rede Esporte pela Mudança Social – REMS, no auditório do Ministério do Esporte.

Os principais objetivos são sensibilizar os governos sobre a equidade de gênero no esporte e empoderamento da mulher pelo esporte, com impactos na legislação esportiva, apresentar dos resultados da Lei dos EUA que permite a equidade de gênero, com o intuito de ampliar a inclusão esportiva no país, discutir a política nacional do esporte com representantes de Organizações Não-Governamentais (ONG’s) para ampliar o leque de cooperação entre esse setor e o poder público, para ampliar a democratização do acesso ao esporte pela população brasileira.

Durante a reunião, o ministro do Esporte George Hilton expôs a primeira conversa que teve com a presidenta Dilma Roussef, assim que assumiu a pasta. “No primeiro contato com a presidente, pedi três coisas: criação de um Sistema Nacional de Esporte. E ela disse “vamos aprovar isso logo, trabalhe para isso”; o segundo pedido foi a prorrogação da Lei de Incentivo ao Esporte e ela me disse: “essa é sua agenda no ministério do Esporte, vamos prorrogar com certeza; a terceira foi a criação de um fundo para que a gente possa a partir do Sistema, ter recursos para investir mais no esporte. Não é fácil. Todos sabem como está a economia, mas com essa união podemos chegar lá”, discursou, sendo aplaudido de pé.

O ministro também falou sobre a importância da união do Estado, com sociedade civil, privada para que o objetivo seja alcançado. “As grandes potências do esporte já têm há muito tempo essa parceria com empresas, indústrias e isso nós precisaremos. Minha principal meta é deixar um legado imaterial, que se trata da democratização do acesso ao esporte pela população brasileira”, enfatizou Hilton.

Busca da igualdade entre os sexos

Coordenadora de Direitos do Trabalho das Mulheres da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, Beatriz Gregory falou sobre a importância da palestra nas mais diversas esferas. “Nós mulheres já avançamos, mas ainda temos que evoluir muito para ficarmos em igualdade com o homem. A maior parte dos investimentos no esporte é para os homens. A diferença salarial é muito grande, o espaço na mídia é mínimo para as mulheres. A mídia não reflete a importância das mulheres para o esporte. Não dão visibilidade às conquistas das mulheres do esporte”, explicitou.

A secretária de Esportes, Leila Barros, também falou sobre o encontro e a situação das mulheres no esporte. “A iniciativa do Ministério do Esporte foi incrível. A mulher luta por essa equidade. A gente sabe que está no caminho, mas ainda estamos longe de conseguir esses direitos iguais. O esporte feminino está indo bem em resultados, mas a gente vê a disparidade de estrutura e salário em algumas modalidades. Um exemplo clássico disso está na comparação entre o futebol feminino e o futebol masculino. Na minha modalidade que foi o voleibol, a gente conquistou um respeito e uma equiparação, mas é porque foi uma geração desbravadora, mas há muito o a melhorar”.

George Hilton também falou sobre a igualdade o Dia das Mulheres. “Essa data é importante não para homenagear a mulher. Isso deve ser feito corriqueiramente. É importante para fazermos reflexões da atuação da mulher na sociedade civil, na vida pública e também a valorização do trabalho feminino. Nós temos hoje uma discussão no mundo para diminuir essa diferença gritante entre homens e mulheres na nossa nação. Mas juntos podemos estreitar essa diferença”, disse o ministro.

Apoio dos Estados Unidos

Duas grandes estudiosas sobre programas norte-americanos, Sarah Hiller e Ashleigh Huffman, mostraram a importância da educação e do esporte em suas vidas e se colocaram à disposição para ajudar na construção do Sistema Nacional do Esporte.

“Não viemos aqui a passeio. Estamos prontas para colaborar, mostrando o desenvolvimento do esporte no nosso país. Não só com atletas de alto rendimento, mas como ajuda na educação”, disse Huffman, uma das coordenadoras de programas voltados para a inclusão social e educação, por meio do esporte. “O Brasil está no centro do planeta quando se fala de esporte desde a Copa do Mundo (2014), então creio que seja a hora de contribuirmos para que o país avance nesse sentido e isso vem bem a calhar com o que estamos ouvindo aqui hoje”, completou.

Sara Hillher, também coordenadora da Universidade de programas da Universidade de Tennessee, contou um pouco da sua história de vida acadêmica, mostrando como esporte e educação precisam caminhar juntos. “Quando fui para a Universidade, meus pais não teriam condições de pagar para eu estudar, então comecei a praticar o basquete para poder ganhar bolsa. Fui bastante disciplinada, não queria me tornar profissional, mas estudar e uma coisa dependia da outra. Pode parecer à toa, mas essa é uma característica fundamental para o desenvolvimento de um país”, ressaltou.

Confira também

Tenista italiano ameaça árbitro em discussão após derrota: “Eu te mato”

Número 317 do mundo, o italiano Giulio Zampieri, algoz do brasileiro Felipe Meligeni nas oitavas, …