Marun quer explicações de Janot na CPI da Petrobrás

O deputado federal Carlos Marun (PMDB/MS) quer explicações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot na Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI da Petrobrás, para que se torne público os métodos utilizados para a inclusão ou exclusão de parlamentares na lista que aponta os investigados na Operação Lava Jato.

Marun já havia questionado a metodologia para a elaboração da Lista “Janot”, durante sessão da CPI da Petrobrás, na semana anterior. Nesta quinta-feira (12) durante a oitiva do presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha, que voluntariamente se apresentou a CPI da Petrobras para prestar esclarecimentos, ficou confirmado à falta de critérios para a listagem dos políticos que foram apontados na investigação da Lava Jato.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal autorizou a investigação contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, pedida por Janot. Cunha foi citado pelo ex-policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, vulgo Careca, que admitiu servir de pombo-correio da propina distribuída pelo doleiro Alberto Youssef e garantiu ter entregado malas de dinheiro na casa do deputado fluminense. Em janeiro, Careca retificou seu depoimento, mas Janot pediu a investigação por considerar que o policial poderia ter sido pressionado para mudar se depoimento.

Nesta quinta-feira, Cunha reafirmou suas acusações e disse que Janot não tem independência para investigá-lo. “O que coloquei é que o procurador-geral, que depende do Poder Executivo para a condução da sua reeleição, deveria, até para manter a sua isenção, declarar publicamente que não é candidato à recondução. Assim ele teria resguardado a sua posição de independência”, disse Cunha. O peemedebista cogitou, até mesmo, mudar as regras de escolha do procurador-geral. “Caberia a nós até mudarmos a legislação e vedar a recondução para dar isenção no exercício da sua função, para não ter que agradar seja quem quer que seja; seja quem vai conduzi-lo, ou seja, quem vai aprová-lo na Casa competente”, disse.

Cunha classificou como “pérola” o enquadramento usado por Janot para requerer a abertura de inquérito contra ele. “Os pedidos de abertura de investigação têm natureza política. O procurador-geral escolheu quem investigar, não usou um critério único para todos”, disse ele, citando como exemplo o arquivamento do inquérito que investigaria o senador Delcídio do Amaral (PT-MS).

Diante de falta de clareza nos critérios utilizados para investigar alguns parlamentares em detrimento de outros, o deputado federal Carlos Marun se predispôs a encaminhar ao presidente da CPI da Petrobrás, deputado Hugo Motta (PMDB-PB) um requerimento pedindo a convocação de Janot para prestar esclarecimento sobre os critérios utilizados para incluir nomes na lista de políticos investigados.

“Temos que ter clareza dos fatos que levaram Janot a investigar uns e deixar outros parlamentares, que a meu ver deveriam compor a lista dos políticos suspeitos, neste que é o maior escândalo de corrupção da história brasileira. Que vem maculando o nome da Petrobras, que outrora é motivo de orgulho e agora passar por uma crise que abala toda a economia brasileira e afeta não só o país e os brasileiros, mas a economia mundial”, finalizou Marun.

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