Escritora Raquel Naveira propõe ser embaixatriz cultural de MS

Reconhecida como uma das maiores e mais sensíveis vozes poéticas do Centro-Oeste, autora de 18 livros de poesia e ensaios, profunda conhecedora das obras de Manoel de Barros e trânsito nos principais centros culturais e academias de Letras no eixo Rio-São Paulo, a poeta e escritora sul-mato-grossense Raquel Naveira gostaria de ser uma espécie de embaixatriz cultural de Mato Grosso do Sul.

A escritora, que também é apresentadora de TV, professora universitária e palestrante, desenvolve intensa atividade literária e vê oportunidade para “publicar” e divulgar a riqueza cultural do Estado.

Raquel Naveira manifestou a vontade de ser porta-voz da produção intelectual do Estado em reunião com o secretário de Cultura do Estado, Athayde Nery, e o diretor-presidente da Rádio e TV Educativa (RTVE), jornalista Bosco Martins.

No encontro, realizado no Memorial da Cultura Apolônio de Carvalho, Raquel recordou os passos iniciais no mundo das letras, quando publicou no jornal Correio do Estado seus primeiros versos. “Eu levava em mãos, entregava pessoalmente ao professor J. Barbosa”, recordou. Raquel alternava sua criação entre crônicas, ensaios e poemas.

“Eu gostaria de atuar na divulgação da produção cultural de Mato Grosso do Sul, participo de muitas feiras de livros e eventos culturais”, disse Raquel Naveira em sua visita a Campo Grande na última sexta-feira, 20 de março.

Ela destacou a decisão do governador Reinaldo Azambuja de recriar a Secretaria de Cultura, o que demonstra, a seu ver, o reconhecimento do Estado a uma área que Mato Grosso do Sul se tornou referência em razão da forte presença e atuação de seus artistas e escritores, passando pela literatura, música, cinema e teatro. Ela mencionou o Fundo de Investimento da Cultura (FIC) como um incentivo fundamental para a produção cultural do Estado, considerando que a cultura é uma área que pode ter mais recursos públicos.

Além do papel de embaixatriz, Raquel Naveira sugeriu reedição e produção de programas de televisão. Em seu currículo consta experiência em canal universitário e emissora pública de São Paulo.

Para Athayde Nery e Bosco Martins, são propostas interessantes, pois destaca-se mais um viés de afirmação da diversidade cultural do Estado que foi berço de Manoel de Barros, um dos maiores poetas do Brasil.

O convívio com Manoel de Barros foi o assunto que dominou a maior parte da conversa de Raquel Naveira com Athayde Nery e Bosco Martins, que recordaram suas incursões relâmpagos na criação poética e o privilégio de terem compartilhado da intimidade do poeta maior. “Também escrevi alguns poemas, mas o meu estilo é mais panfletário”, disse Athayde. Segundo o secretário de Cultura de MS, Raquel Naveira “seria uma excelente embaixatriz. Possui uma rica bagagem cultural e está presente nos principais centros de difusão cultural”. A ideia de ‘eleger” uma representante capaz de reproduzir as faces da cultura de MS lá fora é do secretário de Cultura. “por orientação o governador Reinaldo Azambuja recebemos a escritora para essa conversa e avaliar as alternativas que dispomos para realçar nossas criações e produções nos principais fóruns culturais”, disse Athaye.

Sobre Manoel de Barros, Raquel Naveira tem feito palestras da “Infância Revivida” em um dos espaços culturais mais acreditados de produção de ideias e saber, o The Bard, criado em homenagem ao dramaturgo William Shakespeare.

O encontro com os amigos de Manoel de Barros no Memorial da Cultura Apolônio de Carvalho foi rápido, mas suficiente para rememorar passagens emblemáticas da vida de Raquel Naveira em Campo Grande. Raquel se desculpou. Tinha compromisso em São Paulo, onde está radicada há alguns anos. Assídua frequentadora da Casa Guilherme de Almeida, ali faria o lançamento de 75 poemas. O espaço é um museu-literário vinculado à Secretaria de Cultura de São Paulo que estimula e realiza pesquisas e estudos críticos e possui um enorme acervo de grandes expoentes do modernismo brasileiro.

O diretor-presidente da RTVE lembra que a recente publicação da escritora traz uma carta inédita de Manoel de Barros em que o poeta destaca a obra poética de Raquel. A escritora, segundo Bosco Martins, “é hoje a maior poeta de Mato Grosso do Sul em atividade” e sua obra se destaca também “pelo estilo historiográfico, com registros de fatos marcantes e episódios da fronteira”.

Raquel Naveira nasceu em Campo Grande em setembro de 1957. Passou a infância, até os doze anos de idade, em São Paulo, num casarão antigo da Vila Mariana. Estudou no Madre Cabrini e no Liceu Pasteur. “As lembranças de cantar a Marselhesa e hastear lado a lado as bandeiras do Brasil e da França fizeram da França sua segunda pátria: a pátria da alma, da poesia, do amor perdido em redemoinhos de folhas à beira do Sena”, segundo registro em seu site (www.raquelnaveira.com.br).

Estudou no tradicional Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Aos quinze anos, passou a dar aulas na Aliança Francesa, dirigida pela professora Glorinha, Maria da Glória Sá Rosa, sua mestra e modelo e aos dezoito no Auxiliadora, onde ficou por onze anos, dando início à sua saga no Magistério.

Cursou Direito na antiga FUCMT. Mas a verdadeira paixão era Letras. Na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), deu aulas de várias disciplinas, trabalho na editora a instituição e produziu o programa “Prosa e Verso”, no canal universitário, entrevistando vários escritores como Adélia Prado, Zuenir Ventura e Ignácio Loyola Brandão.

Aos quarenta e oito anos começou a dar aulas no Rio de Janeiro, onde diz ter adquirido visão de mundo. A biografia, trajetória literária e bibliografia de Raquel Naveira estão inteiramente disponíveis no seu site na internet.

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