Bancada feminina vai liderar movimento em MS por mais espaços na política

Três mulheres de expressão política em Mato Grosso do Sul – a vereadora Carla Stephanini (PMDB), a deputada estadual Mara Caseiro (PTdoB) e a senadora Simone Tebet (PMDB) – vão liderar movimento por maior espaço para as mulheres na política.

Elas participaram na última semana, na sede da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), do lançamento da campanha “Mais mulheres na política”, que pretende garantir, já nas próximas eleições, que 30% das vagas das casas legislativas de todo o país sejam ocupadas por mulheres.

A proposta prevê aumento dessa cota em 5% a cada eleição até chegar ao índice de 50% e obriga os partidos a aumentarem de 30% para 50% a cota de mulheres nas chapas proporcionais. Também é uma bandeira dessa campanha a destinação de 30% do fundo partidário para a qualificação feminina, com o objetivo de ampliar cada vez mais os espaços de poder.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estiveram no evento e receberam as reivindicações das lideranças femininas. O evento foi liderado pelas senadoras Simone Tebet e Marta Suplicy (PT-SP), com apoio da Procuradoria Especial da Mulher no Senado, Secretaria da Mulher na Câmara dos Deputados, do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, da atriz Maitê Proença, e bancada feminina no Congresso Nacional.

Durante o ato, Renan e Cunha se manifestaram em favor da aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nº 23/2015, que garante para as mulheres 30% das vagas no Poder Legislativo, e da PEC nº24/2015, que torna obrigatória a eleição de uma mulher quando da renovação de dois terços do Senado.

O presidente da Câmara avaliou ser possível concluir a discussão para que as mudanças possam valer na eleição de 2016.

“Faremos o possível até 30 de setembro deste ano para que as propostas sejam consideradas. Nosso apoio é real em favor da causa das mulheres como condição fundamental para a boa condução da política nacional”, afirmou.

Agora, a ideia é difundir a campanha em Mato Grosso do Sul, por meio da coleta de assinaturas para aprovação da proposta.

“Queremos o apoio de todas as mulheres de Mato Grosso do Sul, tanto da classe política quanto das trabalhadoras, mães, donas de casa, servidoras públicas, enfim, nossa sociedade precisa compreender que somos 52% do eleitorado e estamos subrepresentadas, o que precisa mudar com urgência”, declarou Mara Caseiro.

De acordo com a deputada, o movimento regional por mais espaços femininos na política também prevê um ato público e eventos regionais, com o objetivo de envolver as mulheres de todo estado nesse projeto.

“Nossa bandeira é a democracia. Hoje as casas legislativas não representam verdadeiramente nossa sociedade, apesar de sermos a maioria do eleitorado. E esse movimento é importante nesse sentido, porque vai trazer o reflexo da sociedade para dentro das casas legislativas”, concluiu.

Estatísticas

Na Câmara dos Deputados, só 9,94% dos assentos são ocupados por mulheres – 51 de um total de 513. No Senado, elas estão em 12 das 81 cadeiras. O Brasil ocupa hoje a 124ª posição, em ordem decrescente, entre 188 países, quanto à participação feminina no Legislativo.

Nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores, a presença feminina limita-se, respectivamente, a 11% e 13,3%.

Em Mato Grosso do Sul, a história não é diferente: dos 79 municípios, apenas 8 são comandados por mulheres, e só três representantes femininas foram eleitas para a Assembleia Legislativa, em um universo de 24.

Confira também

Sabatina de Mendonça pode ser resolvida na CCJ, diz Pacheco sobre impasse

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco(DEM-MG), afirmou nesta quarta-feira (13) que acredita que o impasse …